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Mostrando postagens de Fevereiro, 2015

Não existem príncipes encantados - Capítulo 2: A Donzela

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Crianças jogavam pelada na rua. As mães suplicavam para que tomassem cuidado. Não cuidado com os carros ou com estranhos. Cuidado com a vidraça do vizinho, porque ninguém está afim de pagar o prejuízo. A garotada não liga, quer aproveitar enquanto a segunda não vem. Mas a Pelota tem uma ideia diferente. Ela adora estragar a brincadeira mudando de direção e acertando a janela da Dona Chica em cheio. Os risos param. Só se escutam os cacos. E começa a gritaria. O dono da bola é o primeiro a sumir. E o resto vai atrás. Menos o Pedrinho. O Pedrinho perdeu tempo demais no “choque”, e quando viu estava sozinho para escutar os sermões. Já estava aos choros antes mesmo da senhora abrir a boca. E quando abriu, o mundo despedaçou. Foi apenas escutar o “Vou contar para sua mãe”. Mais uma cintada para a coleção. Ou será chinelada dessa vez? Só de pensar...
– Algum problema, milady? - Darc, montada em seu cavalo estralado, diz para a senhora irritada.
– É esse maloqueiro aqui - reclama Dona Chica - J…

Não existem príncipes encantados - Capítulo 1: O herói

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Cavaleiros numa armadura reluzente. Galanteadores corajosos. O mocinho da história. Coisas em que costumava acreditar, a tal da Joana. Eram as histórias favoritas dela. O cara que salva todo mundo no fim e fica com a mocinha. Ela os adorava, mas não queria ser salva. Ela não era nenhuma ridícula como as donzelas em perigo. Na verdade, algumas situações eram tão idiotas nos filmes que ela saía coçando a cabeça. Ela queria ser forte também, como eles. Como a Joana D’arc, sua personagem favorita. Ela nunca foi. Só herdou metade do nome, e menos da metade da força. Não era uma loira determinada de armadura e pele branquíssima, mas uma míope de cabelo ruim e pele negra. Bem diferente de sua melhor amiga, Guilhermina, a ruiva raivosa. Ou como gostava de chama-la, Gilles. Quando as coisas estavam ruins, Gilles sempre estava lá para apoiá-la. Metade da sua juventude, sua amiga a defendia dos garotos birrentos que queriam grudar chiclete em seu cabelo. Na outra metade, a companheira fazia um e…