Postagens

Mostrando postagens de Janeiro, 2015

A roda da saia

Imagem
Mordia os lábios e sorria, levada. Seu Raciocínio dava um adeus de longe. Fugiu do salão. O jardim parecera cômodo. Sempre a mais perfeita lady, agora... Seu corpo de menina, só atraía aos mancebos daquela noite. Um deles estava a sua frente com cara de bobo, mas que nada tinha desse adjetivo... “Coisas estranhas acontecem em noites de lua cheia...”, convida Melissa. “Percebo...”, diz a tomando pela cintura. Os lábios convidativos se abrem em sinal de um beijo. Ele entende e encosta os seus. O primeiro beijo... pedido, suplicado? Não. Oferecido. Por que se privar agora que se descobriu mulher e, sobretudo, desejada? Brincaria um pouco mais... Faria gracejos pueris e sorriria, ludibriando sua vitima adolescente. Como uma bruxa, uma víbora. Atacaria no momento certo (poderia ser a qualquer instante... quem sabe? Quando lhe desse na telha!). Fugira de regras de conduta, padrões, modelos. Deixe-me em paz consciência, quero viver, me arrepender, me arriscar, amar, cair em desatino... por q…

Íris

Imagem
Um lugar pacífico escondido atrás dos montes verdes. As árvores criavam sombra para as crianças deitarem depois de cansarem de correr e se sujarem. Os pássaros cantavam nos telhados das casas. Tão poucas casas que se podia contar nos dedos. Os jovens estavam fora namorando ou estudando longe. Os adultos cuidavam da casa ou trabalhavam nas plantações. Os anciões sentavam do lado de fora, observando o horizonte e aguardando os que foram pra cidade e prometeram voltar. Eles veem uma figura se aproximando. Primeiro olharam com estranhamento. Depois uma ansiedade surgiu. Teria alguém retornado? Não, só mais um turista curioso mesmo. Um moço bem vestido, com um fedora na cabeça e câmera pendurada no pescoço. As moças como se não estivessem ocupadas com outra coisa, logo correram e fizeram um círculo em volta do visitante. Algumas faziam pose, outras puxavam-no. As que sobraram apenas observavam com admiração. Ele já esperava um grupo de pais zangados aparecendo, querendo alguma satisfação, …

Uma pausa

Precisava dormir um pouco, parar de pensar em coisas que a perturbavam. Tudo passou tão de repente. Ela que sempre se considerou feliz, não sabia definir seu estado de espírito. Deitada na cama, protelava suas tarefas... as datas se acumulavam e ela inerte. Se pudesse pararia o tempo só para poder ter um pouco mais daquilo... Daquele momento de tranqüilidade. Se possível tomaria um remédio para o esquecimento. As palavras que não eram pronunciadas estavam adormecidas, as lágrimas que escorriam de seus olhos eram conseqüências destas. Inauditas, encafurnadas, como algo que apenas ela poderia saber, sentir. Qual o remédio para esse mal? Será mesmo mal? Qual o sentido disso tudo? Terá um fim? Se sim, quando? ... ”Qualé, Andréa, não vai sair da cama hoje?”, diz Paulo invadindo o quarto de supetão. Ela se cobre com o lençol. Ainda estava de pijama. “Já te vi com bem menos que isso”, diz lembrando do passeio na piscina domingo passado. “Vim te tirar dessa fossa!”. Ela cobre o rosto em sinal…