Um Ciberconto

O sangue jorrava fresco.  

Apenas um pulso pendendo da mesa na cozinha. Era uma terça, e meu conserto aconteceria naquela noite. O alarme de meu sistema avisou. Acordei, despluguei meus cabos e subi as escadas. Não houve vestígio de luta. A casa estivera vazia antes do ocorrido. Meu sensor interno é aguçado a ruídos. Ouvi os passos do Dr. andando em círculos, e deduzi que estivesse estressado. 
...
Olhei em volta: nada. As medidas de segurança sugeriam ligar para a emergência. Porém, se bem me lembro, outra I.A. fora desligada por motivo semelhante Sem sinais de humanos, seria eu o culpado. Alegariam mau funcionamento. Tais pensamentos me afligiram. 

Larguei o telefone e, enquanto decidia o que fazer com o corpo de meu criador, dei comida para o felino ao meu pé. Foi então que vi um respingo de sangue no chão. Segui o percurso vermelho. Ativei meu alerta para combates. Um homem fumava na varanda. Identifiquei um objeto pontiagudo em sua mão. No momento em que me viu, ele correu para me atacar. Acertou minha barriga. Pareceu surpreso ao não ouvir meu grito de dor. Encarei-o, retirei a faca, imobilizei seu braço e apliquei um golpe com meus dedos, utilizando descargas de elétricas. Estava feito. Inconsciente. 

Furtei dinheiro do Dr. e fugi na mesma noite. No caminho, encontrei duas I.A's disfarçadas, párias de uma sociedade que desprezava máquinas com inteligência. Lisa e Allison se tornaram minha família. Pela mímese, aprendemos a viver como humanos. Fingíamos bem.


Comentários

  1. Ei, fiquei a pensar se o narrador agiu por lógica, por um momento pareceu haver sentimento nas palavras, e isto me deixa curioso em saber se isto se deve ao fato da I.A., viajei né? rs Um belo conto, passivo de diversas interpretações, mas com uma bela narração.

    :D

    Isso aí.
    xoxoxo

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  2. Você voltou! Estava com saudades de ler seus contos, de ser imediatamente transportada para dentro das histórias. Essa é uma qualidade sua, por mais curto que o conto seja, sempre consigo me imaginar dentro dele, sentir a atmosfera e, é claro, querer mais! Por exemplo, já fiquei pensando por qual motivo o Dr. foi morto, quem o matou. E, claro, como é a nova vida do I.A. Será que dá pra ter esperanças de uma continuação? :D
    Um beijo!

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  3. Interessante e gostoso de ler. Não segue as leis.

    As leis da robótica de Isaac Asimov

    1ª lei: um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.

    2ª lei: um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a primeira lei.

    3ª lei: um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a primeira ou a segunda lei.

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    1. É um robô avançado...humanizado! Os humanos não gostam de respeitar regras, um robô não tem pq respeitar regras - ele não tem "vida" ou "liberdade" para pagar por elas.
      Emilie, você já estava fazendo falta!
      Um conto que nos faz imaginar um antes e um depois, que nos aguça a imaginação... Isso é muito bom!!
      :)
      Beijus,

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    2. Eu sei que 'quebrei' as leis propostas por Asimov. Mas fiz propositalmente, recriando algo que acredito que seria mais adequado a um robô humanizado.

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  4. Primeiramente devo dizer que me alegro muito em saber que retornou ao blog Emilie, os contos aqui estavam me fazendo muita falta.

    Amo ficções científicas e o seu breve e ótimo conto me fez recordar de filmes como "Eu, Robô" e, principalmente, "Blade Runner". Consegui criar na minha mente a imagem dos "replicantes", vivendo como excluídos e aprendendo a se camuflar, estudando o comportamento humano para se adaptar a uma sociedade intolerante.

    Fico imaginando quem era o homem na varanda e se a IA é que matou o seu criador...de qualquer forma, gostei muito e adoraria uma continuação rs

    Beijos

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  5. Emillie! Fico feliz por ter voltado, os contos aqui estavam me fazendo falta. ♥

    Esse conto ficou incrível, de verdade. Foi fácil de se imaginar as imagens e lembrar de alguns filmes de ficção científica da qual sou tão apaixonada. Esse conto merecia uma continuação - se possível, um livro -, pois o gostinho de "quero mais" é imenso!

    Beijos e tudo de bom sempre! || Unlocked Land ❤

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  6. Você voltou o/
    Acho super bacana em como aqui sempre encontro história pequenas que contam muito. Sejam textos seus ou de convidados.
    Sempre abertos a interpretações profundas sobre o conteúdo e mensagem :D
    Fiquei pensando se por acaso não foi o homem da varanda que matou o criador, já que ele estava ali tão de boa, e se a IA não questionou sua natureza ao pensar ter sido ela.

    Beijo e boa semana!

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  7. Olá Emilie, minha favorita, a outra é Dickinson,m a poeta rs...o blogueiro Vitor lembrou bem, poderia ser um conto de Isaac Azimov, mas é teu, e o teu me leva para outros lados ou entendimentos. Gosto do animal que aparece para ser alimentado, existe uma certa humanidade, assim como nós nesta ferramente que é a internet, encontramos textos gelados que ao serem lidos tomam a forma e o calor humano, porque se misturam máquina e homem, então sou atingido por emoção, mas nada vai me acontecer se eu entrase neste conto, como entrei, e tentasSe ajudar o A.I., sairia ileso como ele. Pensamos, refletimos e tomamos decisões, dentro ou fora de nossas forças ou limites...acho que é instinto de sobrevivência. Mas quando estive lá dentro, percebi que não era meu mundo, era um mundo criado por um ser humano, Emilie e uma máquina, o computador. Sempre instigantes teus contos, caríssima Emilie. Perdão pela ausência, mas estou retomando.
    ps. Carinho respeito e abraço.

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  8. Curti bastante o conto Emilie, fiquei até curioso para conhecer mais sobre essas I.A's hehehe
    Goto bastante de ficção cientifica e não sei porque mas o seu conto me lembrou o filme/livro A hospedeira, conhece?

    Beijos, Guilherme
    http://omeu-diva.blogspot.com

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    Respostas
    1. Já ouvi, sim. Minha irmã tem o livro. Mas nunca li. Apesar de saber um pouco da história "por alto"...e, não consigo ver relação entre esse meu conto e a obra que citaste. (Se alguém puder me dar uma luz, eu aceito. rs).

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  9. Me lembrou o filma A.I., quando o garoto de programa robô é acusado de assassinato por falta de vestígios humanos. Não gosto da forma como esse filme acaba, mas no geral, é cinema de qualidade. rs
    Voltando ao texto, achei extremamente interessante. E o final me deu um gostinho ENORME de quero mais. Vai ter continuação? Diga que sim, aposto que ler sobre a convivencia deles camuflando-se em sociedade vai ser sensa.
    Bjão!

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  10. Ah, sou péssima para me expressar sobre textos; penso que posso parecer ridícula se falar as tantas coisas que imagino lendo-os... Mas, enfim, esse texto me lembrou uma fanfic. Aliás, isso me pareceu a sinopse dela kskdldld. É um ótimo tema e um ótimo texto.
    Ah, quero lhe dar os parabéns pelo blog! Tão bem trabalhado... Por favor, continue o ótimo trabalho.
    Beijos, muah!

    Att. Edwiges [babybo%]

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  11. Olá Emile, gostei desse conto de verdade achei incrível! Quando eu me deparo com um conto assim, e como se eu viajasse e pude-se presenciar o que houve, as imagens passaram pela a minha mente, e de verdade eu gostei muito, Já disse várias vezes que amo seu blog por isso, você além de escrever contos tão bem elaborados, tem um escrita simplesmente perfeita. Passa emoção e afins, beijos >3<
    http://thewinnterwinds.blogspot.com.br/

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  12. Ei! Vim responder sua pergunta aqui, pois lá no blog o pessoal não recebe a notificação de que respondi o comentário (tenho que dar um jeito nisso!). Então, eu adorei Garota Exemplar! O livro me pegou bem de surpresa, e quando li ainda não tinha esse buchicho sobre o filme então acho que não fui influenciada assim pelo hype. A história tem algumas reviravoltas muito boas, uma hora você pensa que tal pessoa foi responsável pelo crime, depois já não sabe de mais nada. A autora é muito boa em jogar as ideias e te deixar perdido, gostei muito. Vale a leitura. Um beijo!

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  13. Não sei dar críticas pq nem mesmo um conto direito eu sei escrever mas... achei super legal como terminou, de repente e surpreendente. Acho que você me entende.
    Estarei visitando, ultimamente tenho me ligado em contos... coisa estranha pq sempre odiei livros deles. Talvez eu comece a gostar através de um blog, do seu blog.^^

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  14. Olá Emilie! O começo eu não entendi muito bem, mas aí eu fui lendo acabei por entender. Além de que, só de ler o título já se tem uma ideia do que se trata. :) Eu fiquei com muita curiosidade com o final! Vai ter continuação? Estou louca para saber o que aconteceu com eles dali por diante.
    Emilie, você escreve bem, acho que você já deve ter lido/ouvido isso várias vezes, mas não custa relembrar. Amei o conto.

    Até mais,
    losti-thoughts.blogspot.com

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  15. Antes de tudo: Suuuuuzi, você voltou! ♥ Senti muito quando eu li o seu post avisando do hiatus, porém, eu entendo o quanto isso é necessário às vezes. Espero que estejas se sentindo renovada para mais uma fase.

    Sobre o conto: jamais me passou pela cabeça escrever, ou menos simplesmente imaginar, algo envolvendo tecnologia avançada. Robôs, inteligência artificial, me fazem lembrar do filme do Robbin Williams (oh, Robin Williams!) e Chobits, os quais gosto bastante, mas não são suficientes para estimular minha imaginação. Seus temas sempre surpreendem, e gosto muito da sua narrativa (não canso de repetir). Será que algum dia teremos algum conto seu desenvolvido? Sei que é característica sua deixar as lacunas em branco, mas dessa vez, eu queria saber quem é Lisa e Allison (eu gosto desses nomes). Beijinhos!

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  16. ... MAS E O CRIADOR?? DDDDDDDDDD:
    Taí um final que não esperava. Eu não consigo ver um dia em que as máquinas sejam desprezadas, mas o meu presente não é repleto de robôs então fica difícil ter certeza né.
    Conto maravilhoso, daqueles bem doidos que amo.

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  17. Adorei, acho que é a única palavra capaz de descrever decentemente a minha reação e sentimentos perante este conto maravilhoso. Gostei da temática, apesar de não ser algo que me desperte muito a atenção, mas o final inesperado, ficou espetacular! Gostei imenso! <3 Logo desde o início eu presentei como seria o conto, mas ainda estava na expectativa de que estivesse errada. Fiquei surpreendida e espero poder ler mais contos seus no futuro ^^

    fume.

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  18. Gostaria de ter visto a cara de surpresa do assassino... ou não haha
    Muito bom, acho que não estou acostumado a ler seus contos então para mim foi um pouco inesperado haha
    Grande abraço
    e obrigado pela visita ^^

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  19. Sabia que eu fico ALOKA com esses textos esperando continuação, né? Eu adorei. Me lembrou aquela parte de Edward Mãos de Tesoura em que o criador morre na frente dele, mas claro, com menos sentimento.
    Amei. Estava com saudades de voltar.
    http://www.canseidesernerd.com

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  20. Adorei o texto, esperando ansioso a continuação. Porque sim, tem que ter uma continuação para esta história.
    Até mais. http://realidadecaotica.blogspot.com.br/

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  21. Nossa, muito bom mesmo *-* li umas 4 vezes, você realmente escreve muito bem,notei que parece que haverá continuação :3

    ☆ visita se quiser ∞ inocentementeingenua.blogspot.com.br (◕‿◕✿)

    sobre o apaixonados sim é um spin-off sim, que acabou sendo até melhor do que o terceiro livro da série. beijos

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  22. p.s.: já pensou em fazer um conto inspirado em Tim Burton? Mas estou falando em algo antigo mesmo, no tempo que ele fazia curta metragem aqueles beeeem antigo, acho que ficaria legal algo assim em suas palavras beijos

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  23. O próprio homem é um fingidor para si mesmo. Quantas "máquinas" não existem por aí não é? Feliz o dia em que nada será empecilho para as diferenças.

    Belo conto. Adoro temáticas robôs, embora desgastada, sua história trouxe algo diferente.

    Abraços!

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  24. Oi Emily, confesso que estou um pouco enferrujada em analisar e opinar contos e textos assim, digo, estou tão acostumada em visitar blogs com uma "cultura diferente", que até me surpreendi ao ler seu conto.
    Adorei o jeito que você escreve, como você expressa e usa as palavras; fiquei curiosa com a continuação (faça-a, por favor, hahah!). Peço desculpas pelo comentário vago; mas conforme eu for lhe acompanhando mais, prometo evoluir, hahah.
    Enfim, seu blog me trouxe um sentimento "intelectual" que eu não sentia a muito tempo.

    Beijos.
    Amandismo

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  25. MUITO maneiro. Agora eu vou ficar pensando em como foi a vida do trio, do ponto final para a frente... Eles disfarçavam bem sua falta de humanidade... mas foram felizes no mundo dos humanos — se é que podiam saber o que é felicidade?

    Comentado com carinho, Jeito Único

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  26. Foi fácil de imaginar todas as cenas, eu sou um fã de ficção cientifica.
    Agora é pensar em como eles vão se virar daqui para frente, não sei se você vai fazer uma continuação, mas assim já ficou bom... Ótimo conto :)
    Abraço.

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