Traça & Formiga #5

“Ágata é uma devoradora de livros que vive com sua mãe e tenta lidar com a nova vida na cidade. Formiga é um morador de rua obcecado por super heróis japoneses e insetos. Após vários desentendimentos com o inseto, Ágata brigou com ele e acabou contando sobre a morte do pai. Formiga entrega uma joia para ela e parte. Ágata decide procurar um trabalho para ajudar a mãe, e no caminho topa com uma mulher misteriosa vestida de verde. Parece que ela tinha uma relação com o Formiga.”




         Um balcão frio. Num corredor frio de um prédio frio, numa tarde fria. Ou será tudo psicológico? De toda forma, está frio. “Meio parado hein?”, dizia Ágata para si mesma. Para a surpresa dela, conseguiu o emprego na biblioteca. Pensou que não teria chance, mas precisavam muito de uma mãozinha a mais, então contrataram na hora. Sorte. Ao menos ela estava perto do que mais gostava: Os livros. Cheios de histórias pra contar e ensinamentos para compartilhar. Seus únicos e verdadeiros amigos. Bom... Os livros e talvez UMA pessoa. O turno acaba. Pega a bolsa e um livro. Cachecol. Chapéu. Abre a porta. O vento forte quase a empurra. Não pense no frio, não pense. Ao fechar a porta, encontra um envelope preso nela. “Como ninguém reparou nisso aqui?”. Ela o abre. Dentro uma flor de papel com estampas de borboletas. No envelope estava escrito um endereço e horário. “Isso é um pedido de encontro?” Parece que sim. A leitora olha para os lados. Nenhum sinal, apesar dele provavelmente ter acabado de colocar o envelope na porta. Do contrário, alguém dos outros turnos teria encontrado antes de entrar. “Bem... Não custa arriscar.”

             Ela ainda tinha algumas horas até partir. Voltou para casa. “O que vestir?”. Cumprimentou a mãe e subiu para o quarto. “O que o que?”. Deitou na cama por um momento. “Não é como se fosse um encontro mesmo... Acho que qualquer coisa dá... Né? Mas e se ele gostar só de coisas com insetos, eu não tenho nada disso aqui!”. “Vai a algum lugar?”, a mãe entra no quarto. “Não agora... mais tarde”. “Aaah... Um encontro?” “Eu... não tenho certeza.” “AAAAAAAAAH! É SIM É SIM! Com aquele moço engraçado do capacete né? Sabia que você tinha uma quedinha.” “MÃÃÃÃÃÃE!!” “Poxa fofa, você nunca sai com ninguém, deixa eu ser uma mãe feliz” “Uma mãe diria pra eu tomar cuidado e não sair com qualquer estranho” “Ah, ele já visitou a gente, e o achei confiável.” “Com um capacete ridículo e roupas rasgadas?” “Ele só é... excêntrico. Nada com que se preocupar” “Tsc... Você é uma falha.” “MAS... MAS... FILHAAAAAAAAAAAAAAA!”

              Chega o momento. Em um ponto de ônibus, ela está sentada num banco, toda agasalhada e, como sempre, lendo. “Ele está atrasado”, Ágata suspira. Passageiros descem e sobem. Alguns transportes passam. Depois ambulâncias e os bombeiros. O que será que aconteceu? Um acidente? O frio aumenta. Não, esqueça o frio. Então ela escuta uma bicicleta se aproximando. “Onde você esteve até agora? Já tava achando que era uma piada sem graça de alguém.” “Desculpe, tive que resolver algo no caminho. E acabei sujando meu terno.” E como. O terno estava cheio de furos e poeira. Poeira? “Isso é... Enxofre?”, diz ela ao passar o dedo na sujeira. “Não é nada de mais...” ele estaciona a bicicleta e senta, exausto. “Você não parece muito afim. O que aconteceu?” “Eu ESTOU afim, só... Não esperava ser interrompido.” “Bom... Ehrm... Eu trouxe isso”, ela tira alguns biscoitos da bolsa. “Minha mãe preparou alguns e eu trouxe, mas não tenho nada para beber, desculpe”. “Oh... obrigado.” Eles comem os biscoitos, mas não tanto quanto o silêncio e embaraço devoram os dois. “Então... Conseguiu outra bike?”, a leitora tenta quebrar o gelo. “É a mesma. Os cafajestes largaram ela num monte de lixo. Consegui um pouco de tinta e pintei. Felizmente não a destruíram.” “Certo.” Não ajudou muito.

         As pessoas começaram a olhar. Alguns riam do inseto. Outros estranhavam. “O QUE ESTÃO OLHANDO, SEUS IDIOTAS?!” Ágata gritou do nada, espantando até o mendigo. “Bah... Vamos sair daqui!” ela puxa o moço da cadeira, que pega a bicicleta. Eles atravessam a avenida. Caminham juntos, em silêncio ainda. Vamos, só um assunto... “Não precisava daquilo. Já estou acostumado”, disse Formiga. “Eu não estou. Me desculpe. Droga que sede. Não devia ter trazido tantos biscoitos.” Encontram uma máquina de bebidas ao lado de uma loja. “Eu tenho alguns trocados. Eu compro”, o herói diz “O que você quer?” “Água está bom.”

           Ágata vai observar a vitrine. Alguns televisores mostram as notícias. Um incêndio que acabara de acontecer num bairro próximo. Numa das cenas mostradas, uma figura mascarada pula dentro do local em chamas e sai com algumas crianças, uma por uma. Era ele. A imagem não era nítida suficiente, mas não podia ser outro. “Então... Você é mesmo um herói afinal.”, disse ela com a cabeça baixa. “Hã? Você duvidava?” “Bem, você vive falando de robôs e armas, achei que só fosse mais um louco. Eu estava errada. Não que eu acredite no que você diz, mas se te torna uma pessoa mais nobre, que seja.” “Hum...” “E eu nunca agradeci pelo que você fez... Naquela noite. Eu não tenho nada para te dar...” “Leia uma história pra mim” “Hmm? Uma história?” “Estou curioso pelo que você gosta. Mas não vou te fazer me dar um livro, tenho medo de estragar. Prefiro escutar sua voz contando a história.” “Bem... Ok”

           Eles sentam ali mesmo, e Ágata lê algumas histórias de monstros e criaturas da noite.

Comentários

  1. E não é que a imagem combinou com o conto? Quer dizer, meio que não me liguei na roupa que a Ágata usou no encontro (mas, ok). Só acho que se a história descambar para o romance, ela vai perder um pouco do brilho. Não sei explicar bem o por quê (clichê?). Mas uma das coisas bonitas da Traça & Formiga é a amizade deles. Espero estar errada sobre a minha intuição (romance?).. Ou será que estou sendo chata demais? LoL. Aliás, essa mãe parece que saiu direto de um animê..rs!

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    1. Eu não pretendo transformar num românce também. Eu não chamaria de clichê. Diria que é estupidamente óbvio se eles ficassem juntos. Não estou dizendo que mulheres tem queda por caras malucos com roupas ridículas, mas com o que se desenrolou até agora da história, se eles ficassem juntos o leitor pensaria "Hum... Pois é". Mas só porque eles não vão ficar juntos não quer dizer que eles não podem se colocar em situações engraçadas por causa desse tipo de coisa. Enfim, espero fazer melhor a partir desse capítulo. Eu não estou tão satisfeito com o desfecho, mas foi melhor do que qualquer coisa que eu pensei para esse capítulo. Srsly...

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  2. Bah! Concordo com o comentário da @Hisakurasan, a mãe parece que saiu de um animê rs, e ficou muito bom esse texto, essa amizade esquisita e o lance entre eles *-*

    Isso aí.
    xoxoxo

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  3. Eu pensei num romance de início, mas ponderando bem é melhor que seja só uma amizade legal tipo Harry e Hermione, sabe? E olha ainda que eles fiquem só amizade o que eles tem - ou vão construir- é tão bonito que não deixa de ser uma história de amor, né? bjos

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  4. Eu também preferia que ficassem só na amizade, mas o conto é seu. Gosto da forma como os dois se relacionam e acho que um romance não seria tão legal... Vou esperar a parte 6 ^^

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  5. Eu gosto de romance, então sou suspeita, mas isso não quer dizer que a história fica menos incrível se os dois continuarem apenas amigos: o brilho ta nas situações que você cria. É tão fácil ler A traça e a formiga, gosto de contos assim, que a gente devora e cria toda uma cena dentro da cabeça.
    http://www.novaperspectiva.com/

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  6. Acho que comecei pelo fim. Li inteiro e curti bastante o texto e os diálogos, agora preciso correr pra ler os outros 4 ;)

    Beijos!

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  7. Mais um excelente capítulo dessa interessante história!

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  8. Gosto da história, e pra mim, o brilho está todo no embaraço entre eles. Mas entendo você querer fugir do "romance clichê". De qualquer forma, seja no romance ou na amizade, essa história está ótima e merece um final legal! Boa sorte!

    Beijo, com Deus!
    http://tudo-oquesou.blogspot.com.br/

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