Caminho Sem Volta

A densidade da madeira molhada se juntava ao pulso, causando coceira. Um gemido e franzir de testa foram vistos ao longe. Ana, cansada de tanto lutar, xingava o voyeur que a observava. 

- Você é podre, sabia?

Ele permanecia impassível, em seu temperamento habitual.

...

- Ana, o café tá pronto. Desça.
- Ela está grande para ser mimada, Isabel. - disse o pai, lendo o jornal de segunda.

...

- Quem é esse rapaz, Ana?
- Meu namorado, mãe.

Guilherme, com o rosto inclinando de vergonha: olhou, sorriu, e cumprimentou a mulher que o encarava com rugas de interrogação.

...

- Gui, você pode me pegar na sexta?
- Hmm... Não é muito tarde para cinema?
- É estreia. Eu quero ir.

Meio caminho percorrido e um senhor aparece na estrada. 

- Para, Gui, vai atropelar o homem!

O carro diminui a velocidade. Tarde demais para distinguir que o homem erguia um braço de outra pessoa. 

...

- Cadê o Gui!?

Ele deu de ombros:

- Dois dias depois nem eu saberia. Em alguma vala, quem sabe. 

Ana soube: ele a mataria. 
Fechou os olhos com força. 
O machado, recostado na árvore, foi erguido. 

...

Escuridão

...

Nada




Comentários

  1. Aí eu terminei de ler e fiquei assim, pensando. Acho que lemos de trás pra frente, mas acho que acaba livre a interpretações. E pelo visto o tal do voyeur é o cara que ergueu o braço de outra pessoa na estrada... mórbido. Mas eu gosto de textos assim, que acabam sem explicar certinho o que aconteceu, que deixa aberto a conclusões diferentes. Faz da leitura uma experiência maior.

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  2. Nossa muito interessante essa escrita quadro a quadro, tive que ler mais uma vez pra ter certeza do desfecho. Impactante, diferente. Gostei bastante.

    eraoutravezamor.blogspot.com
    semprovas.blogspot.com

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  3. Mas... o quê? Li esse texto três vezes e estou tentando fazer a conexão entre os intervalos. Essa era a sua intenção? Eu vou comer uma salada e depois eu volto aqui, tá? Beijinhos, Suzi.

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  4. ninguém é grande demais nem pequeno demais para receber uns mimos rs... Vai dizer que não gosta em algum momento. Mas sempre temos escolhas e o melhor é nunca fazer o caminho de volta, já que escolhemos melhor ir até o fim e fazer o melhor ao longo do caminho

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  5. boa tarde Emilie.. será que meu comentário não chegou? lembro-me que mandei logo que vi tua postagem.. tenha um lindo dia mesmo assim

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  6. Uau. Juro que fiquei com um pouco de medo agora.

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  7. Oie Emile =)

    Confesso que fiquei com medinho dessa sua história O.O
    Vai ter continuação? Fiquei com medo mais curiosa rs...

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary

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  8. Também fiquei curiosa. E gostei do texto em quadros! É melhor de ler e dá um suspense. Me deu medo também! Vai ter continuação?
    http://www.canseidesernerd.com

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  9. Nossa! Que texto forte. Eu precisei ler mais de uma vez para compreender o desfecho e ainda ficaram coisas vagas em minha mente. Textos sem finais óbvios são muito atraentes.
    Beijos.

    http://arosadehalfeti.blogspot.com.br

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  10. Estou da mesma forma que a Yuu.. Mas depois de um tempinho acabei entender e, nossa! Mas adorei! Adoro histórias assim, por mais que essa tenha sido um pouco confusa, mas no final consegui, haha. Aliás, eu sou apaixonada pelo nome Guilherme, haha.


    vitoriando.com

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  11. O jeito como você narra seus contos é sensacional. Fico presa em todos os textos seus que leio, esse me causou arrepio. Gostei da mudança de "cena".
    Adoro fins que falam por si só.

    http://www.novaperspectiva.com/

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  12. O ponto de interrogação na minha cara foi ótimo hahahaha e fiquei aqui me perguntando: pq diabos ela saiu com ele se sabia q ia morrer? Corre, minha filha!" hahaha bjos

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  13. Hum... num tá faltando umas linhas aí não ou é isso mesmo que eu entendi?
    De qualquer forma, é um ótimo texto!

    petalasdeliberdade.blogspot.com

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  14. Tive que ler mais de uma vez, mas gostei do modo que a história foi narrado. É bem impactante e instigante. Parabéns (:

    Beijos, Vickawaii
    http://finding-neverland.zip.net

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  15. Arrepio é a palavra. Não sei se compreendi ele direito, mas depois de algumas lidas e relidas acho que não era um simples vouyer, era um psico. É interessante a mudança de cenário, dá uma embaralhada na gente, mas torna o texto mais chamativo. Parabéns!

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  16. Adoro o assunto, mas não foi só isso que gostei no texto. A forma de escrita, é bem original. Super curti.

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  17. Minha querida Emilie favorita, de novo caio eu nas tuas tramas, tuas palavras que poucas, unidas são gigantes de idéias e possibilidades. Não sei se já comentei contigo, mas teus textos me dão uma coisa muito visual, por exemplo, o diálogo do pai, da mãe, de Gui (meu suspeito) e Ana, existe nas entrelinhas todo um universo para se chegar às falas, imaginei uma casa enorme, burguesa, muita claridade ao mesmo tempo sufocante, com liberdade, mas não para andar por toda a casa, enfim...um roteiro, assim me localizo melhor dentro do texto, as intenções dos personagens, no que eles já estavam vivendo antes de minha chegada na leitura, ao mesmo tempo, ou não tempo, as sequencias, os acontecimentos, aquele começo meio final...ela já sabia que ele a mataria, como se já esperasse por isso...estava esquecendo do homen supostamente atropelado com alguém nos braços...poderia ser uma cilada, e Ana levada, com cumplicidade de Gui, enfim nas mãos do voyeur, o machado, a escuridão, o nada. Obrigado Emilie, divaguei legal. Teus diálogos, quando crescer quero escrever assim.
    ps. Meu carinho meu respeito e meu abraço.

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  18. Melhor que o texto em si é a vontade por saber a sequencia da trama... hehehe! Muito bom, Emilie! Agora continua... haha! Bjs!

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