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Mostrando postagens de Maio, 2014

Traça & Formiga #5

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“Ágata é uma devoradora de livros que vive com sua mãe e tenta lidar com a nova vida na cidade. Formiga é um morador de rua obcecado por super heróis japoneses e insetos. Após vários desentendimentos com o inseto, Ágata brigou com ele e acabou contando sobre a morte do pai. Formiga entrega uma joia para ela e parte. Ágata decide procurar um trabalho para ajudar a mãe, e no caminho topa com uma mulher misteriosa vestida de verde. Parece que ela tinha uma relação com o Formiga.”



         Um balcão frio. Num corredor frio de um prédio frio, numa tarde fria. Ou será tudo psicológico? De toda forma, está frio. “Meio parado hein?”, dizia Ágata para si mesma. Para a surpresa dela, conseguiu o emprego na biblioteca. Pensou que não teria chance, mas precisavam muito de uma mãozinha a mais, então contrataram na hora. Sorte. Ao menos ela estava perto do que mais gostava: Os livros. Cheios de histórias pra contar e ensinamentos para compartilhar. Seus únicos e verdadeiros amigos. Bom... Os livros …

Letícia (por Mayra Borges)

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A festa já estava quase no fim quando você sentou-se perto de mim tirando o salto alto e rindo como se me conhecesse de uma vida inteira. Um sorriso largo de dentes brancos, de lábios carnudos e vermelhos. A princípio fiquei sem reação, porque em segredo durante toda a festa os meus olhos castanhos rastrearam todos os teus passos pelo salão, todas as voltas da tua dança bonita, todas as ondulações desse teu cabelo cor de fogo, eu estive te filmando a festa inteira. E então você olhou pra mim com um olhar desses que a gente sente batendo com força como ressaca depois de um domingo qualquer, um olhar que faz o estômago afundar e as mãos ficarem geladas. Eu percebi que olhava pra você com cara de boba, será que você notou?
                - Ta tudo bem, você parece triste?
Desde aquele dia nunca consegui esconder nada de você.
                - Por que diz isso? - olhei de volta pra você surpresa com a pergunta.                - Não te vi dançando, na verdade você ficou aqui sozinha a fe…

Teste de Coragem

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Uma caveira encarava Marcelo com os buracos fundos no lugar dos olhos. Ao menos ele via “olhos” naquele crânio.  Suas pernas tremiam como num deja vú. Cena de filme de terror assistida em noite de sexta-feira treze. Sabia que lhe dariam pesadelos. Ou seria a comida? Vai saber... aquele feijão... 
      “É apenas por uma noite...”, dizia baixinho, convencendo-se de que não sentia medo. Alexandre, o valentão da escola, propôs uma noite no casebre do Velho Antônio. Diziam ser mal-assombrado pelo desuso e por causa da carranca do velho, assustadora o suficiente para deixar crianças sem dormir. Agora falecido, a casa não pertencia a ninguém, exceto aos agentes imobiliários. Marcelo sabia que se sua coragem estivesse intacta, pela manhã, estaria no grupo dos mais populares da escola. (O que, para um garoto de doze anos, significava status de nobreza). Tudo ocorreria como o esperado se ele ficasse próximo a Eduardo, o Dudu.
          Dudu era o garoto mais bacana da escola. Do tipo que o…

Insegurança (por Ivan Bittencourt)

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Não se pode dizer que a situação ficara crítica do dia para a noite. Desde muito pequena, Eloah já tomava sua mamadeira, uma, duas, três vezes e então pedia mais uma. Na escola a hora do lanche era, de fato, a hora mais feliz. Levava uma lancheira abarrotada de tudo o que conseguia reunir em casa. E não dividia nada com os coleguinhas. Quando completou seus treze anos já era a “gordinha da turma”, mas somente no penúltimo ano do ensino médio as provocações superaram o limite.
- Lá se vai a chupeta de baleia – Diziam quando ela passava. - A rolha de poço – Falavam os outros. - Já chegou o disco voador – Gritavam os menores.
       E por aí continuavam: pudim de banha, planeta, pelota de arroz doce, pneu de trator, barril destampado, almôndega, lona de circo, montanha, leitoa, pança de todos, bola de canhão, quebra balanças, tonelada, jóquei de elefante e muitos outros. Combinavam em uma maldade coletiva, para que quando Eloah se sentasse, todos os outros pulassem da cadeira. O bullying…

Caminho Sem Volta

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A densidade da madeira molhada se juntava ao pulso, causando coceira. Um gemido e franzir de testa foram vistos ao longe. Ana, cansada de tanto lutar, xingava o voyeur que a observava. 
- Você é podre, sabia?
Ele permanecia impassível, em seu temperamento habitual.
...
- Ana, o café tá pronto. Desça. - Ela está grande para ser mimada, Isabel. - disse o pai, lendo o jornal de segunda.
...
- Quem é esse rapaz, Ana? - Meu namorado, mãe.
Guilherme, com o rosto inclinando de vergonha: olhou, sorriu, e cumprimentou a mulher que o encarava com rugas de interrogação.
...
- Gui, você pode me pegar na sexta? - Hmm... Não é muito tarde para cinema? - É estreia. Eu quero ir.
Meio caminho percorrido e um senhor aparece na estrada. 
- Para, Gui, vai atropelar o homem!
O carro diminui a velocidade. Tarde demais para distinguir que o homem erguia um braço de outra pessoa. 
...
- Cadê o Gui!?
Ele deu de ombros:
- Dois dias depois nem eu saberia. Em alguma vala, quem sabe. 
Ana soube: ele a mataria.  F…