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Mostrando postagens de Abril, 2014

Devaneios Mentais (por Carlírio Neto)

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Primeiro: aviso que o texto de hoje é um tiquinho maior do que os que estão acostumados. Mas eu achei que não valia a pena fazer um doc e deixar um link abaixo para a leitura integral. Recomendo que leiam de forma dinâmica (rápida). O autor sugeriu que lêssemos ao som dessa música (link).
Até que ponto contorcer-se por algo é válido? Ninguém sabe. Talvez, o rapaz deste conto precise de sua pronta ajuda...
Estava o céu escuro... 
O rapaz olhava e contemplava aquele verdadeiro teto que estava sob a sua cabeça, como quem gostaria de entender o por que de sua existência lá naquele momento. Saber de seu propósito era difícil pois, ao longe, ele parecia não mover uma célula de seu corpo, que estava deitado sob aquele gentil gramado do parque.
Na verdade, ele contemplava o céu sob uma outra ótica. Ele estava chateado com algo. Poderia ser com ele mesmo ou talvez com alguma outra pessoa de seu convívio diário. A única coisa certa é que ele não piscava os seus olhos. Estava entregue para algo ou a…

Asas Cortadas

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Do carbono vieste e para ele voltarás. Tua morte será lenta e cruel. Mas, não saberás. Manterei segredo até que esteja totalmente fascinada por mim. Será pega de surpresa. Quando menos esperar. Não sinta raiva depois que te ferir. Não fiz por mal. Simplesmente sou assim. Acostume-se. A vida pode te fazer tropeçar. De propósito? Talvez. Sinto muito se isso te causa repulsa agora. Sou assim mesmo... Vá se habituando. 
         Não, o problema não é com você. É comigo. Sou totalmente culpado, me sinto como tal. Sou eu, não você. Por favor, não chore, não quis te magoar, contudo, as coisas saíram do controle... Quando dei por mim, você tinha confundido tudo. Tive que levar a farsa adiante, como mandava o código dos cretinos. Fui bem, não fui? O que achou? Não me olhe com essa cara. Sabe que foi tudo uma confusão. 
          Você, eu. Nunca daria certo. E, sabe disso. “Merece alguém melhor, mais digno do seu amor”, era o que gostaria de ouvir? .“Sou um imbecil, cretino, desvirtuado”, …

Ao Pé do Ouvido (por Antonio LaCarne)

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Aos 17, você não deu importância. Saiu por aí mostrando os dentes, sorrindo gratuitamente, e compartilhou centenas de abraços, como se o mundo fosse um palco onde o amor é uma brincadeira. Aos 21, você criou asas, correu pela cidade, explorou as ruas, as luzes de néon, andou de mãos dadas com o perigo que não é um rastro de sorte. E jururu, me debrucei sobre os livros, sobre as almofadas que não suportaram o teu peso e o teu cheiro – durante aquele momento de canções favoritas num banho demorado, imaginando anjo sem nenhum deus, anjo perdido no limbo.
        Mas agora eu não me importo, pois não vale a pena encarar o rosto sombrio da vida sozinho no apartamento, na pista de dança. A minha coreografia é um passo de malandro que morde e assopra, que te esquece em vão e faz de mim personagem principal de um filme – de qualquer filme onde os meus olhos possam enxergar uma ilha, uma sereia, um castelo, uma saída de emergência.
         Aos 35, a verdade possui o mesmo corpo que rasga a me…

Traça & Formiga #4

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“A devoradora de livros e o obcecado por heróis inseto. Também conhecidos como...”



          “Será?”. A questão surge enquanto ela aguarda pelo trem. “Acho que fui bem”. Confiança repentina. “Mas e se ela me odiou?”. Insegurança toma o lugar. “Não, não. Sem isso, moça. Respire fundo. Quando ligarem, você saberá. E cadê esse trem?”. A leitora estava impaciente. Acabara de sair da entrevista na biblioteca. “Se ao menos eu tivesse trazido um livro... Que tédio”. Ela seleciona uma pasta de músicas no celular e as escuta. Um sinal ecoou na estação. O transporte se aproxima, diminuindo a velocidade. “Finalmente!” reclama ela. Um guarda aparece ao seu lado, aguardando a parada do trem. As portas se abrem. Do vagão em frente aos dois os passageiros saem com desespero. Dedos no nariz. Feição de nojo. “Que horror", alguns falavam. Esvaziado, o guarda entra. Ágata escuta alguns resmungos. O segurança arrasta um moribundo para fora do vagão. “Não quero te ver mais aqui, entendeu bem?” - diz e…