O Fim do Baile

      Quinze anos bem vividos. Ana Beatrice bailava no salão. Contente na aparência. Era uma das mocinhas de vestido rosa, amigas da aniversariante. Sob ela pairava uma aura de contentamento. A beleza da mocidade. Orgulho dos pais. Estava perfeita. Contudo, algo dentro daquela pequena mulher mudara. Era, sim, uma boa aluna. Motivos para se orgulhar de si mesma tinha de sobra. Queria ser, ainda que por um só dia: imperfeita. Ser ela mesma. Com seus defeitos, suas manhas, suas chateações, e sentimentos à flor da pele. 

       Nem sequer poderia dar-se ao luxo de se apaixonar. Modificaria tudo. Sairia de si. Se tornaria uma boba como suas amigas. Choraria por alguém. Não precisava desse pieguismos barato. Poderia ter tudo ali, mas o “tudo” não a preencheria. O vazio, a insatisfação permaneceria. Como um buraco. Fundo, abismal. “Por que se reprimir tanto? Valeria a pena todo esse esforço apenas para agradar os outros?”, era o que se perguntava quando estava fora de si. Observando. Vendo-a por inteira. Uma farsa. 



Comentários

  1. Nossa, adorei o conto, acho que existem muitas outras Anas! A imperfeição... Tão bela não é? São poucas que se dão ao luxo de admiti-la.
    Enfim beeeijos ♥
    http://mydreamsofasummernight.blogspot.com.br/

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  2. Bom dia Emilie.. nos dias de hj são muitas as pessoas que sempre querem agradar principalmente os pais.. e perdem a liberdade interior.. não são livres, não sabem viver.. a vida é uma provação que tem que ser sentida com suas lágrimas e amores.. fingir que tudo está belo é colocar máscaras e estas um dia precisam cair.. tenha um lindo dia até sempre

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  3. Acho que essa questão é tão profunda quanto a própria sociedade: ser quem se espera de nós ou quem nós queremos ser? A resposta pode parecer simples a princípio, mas não é. Principalmente se considerarmos que essas dúvidas surgem de modo mais frequente na juventude, como na sua personagem. Acho que apesar de comum, não é um tema que deve ser banalizado, é sim, muito válido, Portanto, belo texto, simples e profundo.

    L.

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  4. É tão deprimente ficar se escondendo atrás de máscaras que talvez sejamos obrigados a usar! Aos poucos vamos conseguindo nos livrar delas, ainda mais quem sempre usou uma durante muito tempo... aos poucos vamos caindo na real e percebendo de que nossa vida pertence a nós mesmos e não podemos perder tempo vivendo a vida que os outros nos obrigam a ter! Amei teu blog a partir de agora vou seguir sempre, os textos são muito bons!

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  5. Eu demorei muito a começar a expressar o que quero, o que penso, o que acho. Sempre fui muito retraído e aceitei muitas coisas, mesmo discordando, apenas por não conseguir mostrar o que não queria. A partir do momento que consegui romper essa barreira, um novo mundo se descortinou a minha frente. Talvez nem todos passem tanto tempo sendo tolos como eu fui, espero que não. Até mais.

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  6. Eu gostei muito do texto. Acho que muitas pessoas tem toda essa pressão em cima de si - eu já tive. De ter que tirar boas notas, ser bonita o tempo todo, deixar que escolham alguém para si, e todas as coisas mais. É uma coisa que vai engolindo as pessoas aos poucos. É bem ruim e como no texto, transforma a pessoa em uma farsa. Gostei muito!

    Beijos,
    Larissa♥

    - Vitamina de Pimenta -

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  7. Para agradar aos outros nada vale pena. Começam aí os buracos... fundos e abismais... hehe! Maravilha, querida!

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  8. Belo texto, essa sensação é tão natural que acho que alguns nem deixam pra trás...
    Obrigadão pela visita e por me apresentar ao Emilie escreve.

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  9. Minha Emilie favorita, o que será de nós no fim do baile ? é uma fase cruél, de afirmação e fraqueza, em que há cobrança de casa, dos amigos, da vida...então resistir para manter sua essencia e não se forçar a nada, por ninguém, a não ser que queira. Gosto dessa idéia metafórica e real do baile, acho que passamos por isso, meio parecido rs... mas é o momento de marcarmos nossa personalidade, com atitude, porque senão ocorre o que comentou meu amigo Fred: Começam aí os buracos... fundos e abismais...Sempre muito bom ler teus contos querida Emilie, minha favorita.
    ps. Carinho respeito e abraço.

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  10. Adorei!
    Quando li suas palavras lembrei dos meus quinze anos e das ansias que a gente sente. Da aceitação que a gente persegue e de como vê o fim do mundo!
    Difícil, né? Quem - principalmente nessa idade - não quer ser aceito? Etender que o que as pessoas pensam da gente não acrescenta muito ou que vão nos criticar de qualquer jeito, requer maturidade.
    Beeeijooos queri

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  11. Oi, Emilie!
    Fazer a vontade dos outros devora os nossos sonhos. Uma garota esperta só finge que faz a vontade alheia, mas essa insatisfação é inerente ao ser humano! :D
    Beijus,

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  12. Ser uma farsa é terrível. Eu já fui. Deixei de ser, e isso custou muitas coisas, mas ganhei a liberdade e felicidade verdadeira. Ótimo texto

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  13. Eu fui uma farsa por muito tempo. Vivi como outra pessoa, fui outra pessoa. Me privei de meus gostos, minhas vontades, menti. Menti para sustentar algo. Mas ninguém consegue representar durante toda uma vida. Eu deixei o fardo cair. E então fui ao fundo do poço, por mais contraditório que seja. Mas um pouco de felicidade foi lentamente voltando a me encontrar.

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  14. E essa é a triste realidade de muitos de nós. Nos moldamos as imagens que esperam de nós, "perfeitos", mas por dentro estamos incompletos, um vazio nos rodeia... E não tem sensação pior. O dia que nos permitirmos sermos imperfeitos, ao nosso modo, seremos sim felizes.
    Muito bem escrito teu conto e conseguiste descrever de forma sucinta a ideia! Adorei :D

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  15. Realmente, como já disseram, existem muitas Anas, e acho que dificilmente alguém não passou por uma fase, mesmo que curta, de Ana. Não sei, deixei esse meu lado para trás, cansei de pessoas perfeitas, não me interessam até começarem a me mostrar seus defeitos. E cansei de ser perfeita, não gosto de me esconder de ninguém. Amei o conto <3

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  16. Bom dia =)) Faz um tempo que não acompanho as news, mas agora deu tempo. Bom, o texto ficou lindo e devo dizer que muito profundo se refletirmos sobre esse lado mais 'ser ou não ser', seja o que precisa ser ou seja você mesmo, algo que em muitos momentos na vida afetam a todos nós, principalmente na adolescência. Tu deixou - creio eu que essa seja sua ideia - bem colocado e em poucas palavras, descreveu um pouco de todos em uma única vida.

    Até mais!
    xoxoxo

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  17. "Valeria a pena todo esse esforço apenas para agradar os outros?" Resposta: Não. O tempo vai mostrar que abdicar da sua liberdade de existir para os outros, não é o melhor caminho. Aliás, como podemos amar o próximo se deixamos de amar nós mesmos, para agradar os outros? Devemos aprender a valorizar a nossa essência e os nossos sonhos.
    Adorei a sua postagem. Muito interessante o blog. Volte sempre!
    Beijinhos.

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