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Mostrando postagens de Janeiro, 2014

Talvez em Londres (por Larissa Fonseca)

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Parando em uma esquina, olhou o relógio que ficava na mais alta torre da igreja: já era cinco e meia. Deveria se apressar. A tarde cinzenta ainda derramava algumas gotas teimosas da chuva que cessara há pouco. Olhou também ao seu redor: as ruas estavam um tanto quanto vazias, sem a agitação e o barulho que a perseguiram durante toda a semana. Melhor assim. O tempo era curto e ela não precisava de motivos para se distrair.
           Andou mais um pouco e parou diante de uma poça d'água, fracassando logo na primeira tentativa de manter o foco. Mesmo que ainda tivesse que percorrer alguns quarteirões, permaneceu ali, mirando o próprio reflexo. Seus longos cabelos castanhos e seu sobretudo xadrez ainda estavam no devido lugar, pelo menos era o que parecia. Deparou-se também com seus olhos, um pouco assustados, e através deles perdeu a noção de tempo e espaço. Agora não estava naquela cidade habitualmente agitada e poluída: estava longe, longe... Talvez em Londres, um dos alvos d…

Encontro Insólito

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Foi num dia ensolarado que ela o encontrou. Estava numa praça tocando violão a quem quisesse ouvir. Ela esperava alguém. Um pouco apreensiva, se aproximou do rapaz Tinha certeza que levaria “um bolo” novamente. Por que ele faltava aos encontros? “Parece que não gosta de mim”, pensou desanimada. Distanciou-se do local marcado. Sentou-se próxima ao rapaz. “Você toca bem”. “Obrigado”. Sorriram. Desconhecidos. “Você mora aqui perto?”. “Não, por quê?”. “Sempre te vejo aos domingos”. “É a primeira vez que o vejo”. “Eu moro ali. Te vejo da janela”. Ele apontou para uma casa branca com detalhes antigos. Tinha janelas enormes. 
            Os olhos se encontraram. Ela baixou a cabeça. “Desculpe”, uma voz quebra o silêncio. Chega um garoto usando blusão e bermuda. Ofegante diz “Te fiz esperar muito?”. “Um pouco”, ela sorri. Sempre o perdoava, não importava se o atraso era de meia ou uma hora. 
             Com os olhos, o rapaz acompanha a garota. Ela olha para trás, sorri e acena com a m…

O Cotovelo Cor de Rosa (por Eilton Ribeiro)

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- Então... Acho que não entendi. Aconteceu o quê exatamente, pro seu melhor amigo, que você conhece desde a infância, te odiar tanto? – perguntou-me Lilly, amarrando os cabelos loiros, quando sentamos na fonte de água que ficava no meio do shopping. - Você vai me fazer falar sobre isso mesmo, né? – resmunguei, guardando no bolso uma embalagem do sonho de valsa que tínhamos acabado de dividir. - Uhum, uhum, você vai falar sim, queira ou não, porque está comigo. Quando tô curiosa sobre um fato arranco confissões até das pedras que testemunharam ele. Bobão. Principalmente se é essa a razão de você estar aqui, e eu ter te trazido de carro. Anda, anda, seje hômi, desembucha, bote pra fora... - Eu... - ...As palavras. Mantenha esse zíper levantado, hômi! – brincou ela, sorrindo e apertando os olhos verdes pra mim – Sério, fala. - Beijei a ex-namorada dele... – suspirei – Você sabe como isso é complicado. - Hm. E...? - “E...” o quê? Foi isso. Bom... Ele tava junto no dia, era um encontro de…