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Mostrando postagens de Dezembro, 2013

Inverno

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Existia um reino dividido. De um lado, o grande castelo dos bons sentimentos. Do outro, o deserto frígido dos sentimentos ruins. No castelo da rainha Esperança, todos viviam felizes e em harmonia. Nas capas geladas, os sentimentos alienados sobreviviam como podiam. Esperança tinha um filho: Amor. Jovem ainda, porém maduro. Às vezes parecia cruel, mas sempre buscava o bem de todos. Preocupava-se principalmente por aqueles que viviam além das muralhas, congelando no deserto infinito. Esperança não permitia que o menino saísse. Queria que ele continuasse dedicando-se aos modos de dentro. Esperava que ele logo se casasse e então pudesse ficar no lugar dela no trono. Amor não se interessava por ninguém. Mal mantinha contato com as moças das redondezas. Na verdade, fora a própria mãe, a única com quem ele conversava era com a irmã, Tristeza, que vivia numa cabana próxima aos grandes muros, do lado de fora. Esperança detestava quando o moço saía da segurança do castelo para ficar o dia todo …

Decolagem (por Ana Carolina)

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Nas primeiras vezes que andei de avião, achei que desmaiaria. Cada ínfimo barulho já despertava o medo de uma desgraça inescapável, cada curva era um tormento medieval. Mais novata, impossível.
           Durante a viagem em si não há muito o que me aflija, nem mesmo o pouso. A decolagem é o momento mais crítico, pois traz a assustadora fase de “sair do chão”. Vencida essa etapa, a gente se acostuma com a nova altitude. Douglas Adams escreveu que “para voar basta errar o chão” e ele não poderia estar mais certo. Parece que a coisa mais difícil para o ser humano é tirar os pés – e a alma – do chão firme e seguro.
              Mesmo quando temos certeza de que largaríamos tudo por um sonho, nada garante que realmente aproveitaremos as oportunidades para isso. Não é culpa de ninguém. O chão é convidativo, a estabilidade é desejada e por vezes, na verdade, já temos tudo que precisamos e só percebemos quando algo crítico acontece.
            Também não é preciso se martirizar. De tempos …

Subindo as escadas

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Ana se encontrava no primeiro andar. Ao lado, uma escada em espiral. No alto, corredores largos. Ela parou um bom tempo contemplando a estalagem. Queria entender onde se encontrava.
Havia uma porta aberta, frente a escada. Era grande. Se perguntou se a casa tinha dono. Será? Quis saber. Mas, antes de tudo, queria acordar e dar o fora dali. Andou até a porta. Nos três passos que a levariam para a liberdade da casa, leu um bilhete jogado no chão:
“Uma vez longe dessa mansão, você terá todas as suas memórias apagadas. Seu cérebro não será capaz de lembrar se está num sonho ou não. Vagará para sempre, longe”
Retrocedeu os passos, pôs a mão no coração. Uma pontada. Falta de ar. O estresse repentino. O mal de sempre.
- Quer dizer que não estou livre para sair minha cabeça-casa? E se o fizer, vegetarei para sempre...?! - Isso mesmo, querida. - um homem usando um termo de Mandrake se aproximou. Seus olhos brancos fizeram com que Ana pulasse, num susto. “Vou morrer?”. - Você está presa à…