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Mostrando postagens de Novembro, 2013

Traça & Formiga #1

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Ágata. Ela checa o iphone. O horário está correto. Nenhuma delas aparece. Ninguém parecido com elas aparece. Uma. Duas horas esperando. O trote é claro. O choro vem, mas ela engole. No fundo ela sabia que não gostavam dela. Sabia que fariam algo assim alguma hora. Sempre pegam no pé dela. Está tão escuro e solitário. “Garota idiota” diz sobre si própria, chutando a lata amassada na calçada. Alguém a segue. Segue? Não sei mais. Alguém de capuz. “O que importa. Que seja. Que me aborde. Faça o que bem entender. Quem sabe ele me livra disso tudo”.
                Um suspiro. Olhe para o chão e ande. Não pare. Uma pancada. Mas ela não sentiu nada. Vira para trás e vê que a vítima é o encapuzado. Já estava no chão, sendo pisoteado por uma figura estranha. Um ser vestindo uma jaqueta suja e  um capacete ridículo. Cara de formiga? Hein? Fugiu. O homem no chão com o rosto cheio de ferimentos. Ligou para a polícia. Mal entenderam o que ela disse. Piorou quando apareceram. “Um homem com cabe…

E se…? (por Catarina Luna)

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Provavelmente seria a última vez que se veriam. Ninguém precisaria de o dizer, os olhos ditavam-no por si. - Talvez estejamos a remar em sentido contrário. – dizia ele, já com o peito marejado em lágrimas. - Só não sabemos em que direcção devemos remar. Não será, no fundo, a mesma coisa? – questionava-se ela, quase em surdina.
         Não esperavam eles que o destino ainda os surpreendesse. Ela era a senhora dos seus mil caminhos, sabia ao certo que estradas deveria pisar. Com os seus grandes e luminosos olhos verdes, tinha a capacidade de assustar quem caminhasse a seu lado. Até a ele, que julgava ser o seu coração. Mas quem seriam os dois? Estando juntos anulavam-se. Que futuro poderiam criar?
       - Eu sou do lado de dentro, de cá. Criamos mundos diferentes, quando podíamos ser somente um. Reconheço-te triste, por vezes, mas nunca sei como devo perscrutar esse silêncio. – dizia, a medo, o pequeno coração dela. 
       Nem sempre as coisas belas duram na sua eternidade. Um dia, t…

Do lado de cá

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Escuro. A completa escuridão. Ao redor, nada além de sussurros e rosnados ao longe. Medo. O meu primeiro pensamento foi: "Morri?". Tentei ficar em pé. Ergui minha mão, na tentativa de tocar uma parede, qualquer coisa na qual pudesse apalpar. ALGO. Nada. Abracei a mim mesma e sentei, formando uma bolinha humana de desespero.  
- Ei - disse uma voz.  Abri os meus olhos o mais arregalados quanto poderia, na esperança de enxergar algo.   - Ei - repetiu a voz.   - Quem está aí? - indaguei com medo. - Sai de cima de mim. - Oi? - Tá pesando. Por favor. - O-ok...
Dei um passo pra trás. O ser era o que parecia um grande tapete. 
- Obrigada. - dizendo isso, mostrou um dos braços. Um membro saiu de um monte de pelos, trazendo consigo a luz. A cabeça dele parecia com a de um cachorro. Seu corpo tinha extensão e forma de um tapete. Era difícil de acreditar que houvessem órgãos ali. Ou sequer que aquela criatura estava viva.
- O senhor poderia dizer onde estou? - Achei que fosse meio óbvi…

Amigo Urso (por Claudio Chamun)

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Dois rapazes estavam no meio da floresta. Nunca tinha caçado, nunca tinham acampado. Quando estavam entrando em desespero, apareceu o Urso e comeu os dois. Outro dia na cidade .... ─ Ai Moleque! ─ Que tal, beleza? ─ Tudo em cima? Tem caçado? ─ Ô!! Fui na semana passada. ─ Pegou alguma coisa? ─ Se não. Foram duas queridas de uma só vez. ─ E a tua mulher? ─ Pensa que eu estou caçando de verdade ─ gargalhadas. ─ É isto ai Urso. Um abraço. Dias antes ..... ─ Puxa, Zé , você é demais ─ falou Gilda ─ me deixou maluca. ─ Modéstia a parte eu sou bom mesmo, e o seu marido? ─ Tá caçando. ─ É este da foto? ─ Sim, ele mesmo. ─ Putz, é forte hein? ─ Não é a toa que o apelido dele é Urso. Mais tarde no mesmo dia ... ─ Alô. ─ Oi, Gilda! E ai? Como foi com o Zé? ─ Putz, o cara não é de nada, fedorento, contador de vantagens, e mais frio que um bloco de gelo. ─ É mesmo? ─ É, tive que elogiar para ele não ficar chateado. ─ Bom falar, este eu nem pego. ─ E teu maridão? ─ Ah, Gilda, este é o cara, gostos…

Aconchego nupcial

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As meias pendiam na cadeira ao lado da cama. As pernas de Isabella nuas, brancas. Tirou-as suavemente, deixou-as na cadeira e beijou as pernas de sua esposa. Ela ria com um olhar de satisfação, soltou uma gargalhada ao vê-lo beijando-a até as coxas. Fez que não com o dedo. Um jogo que ele gostava de brincar, pega-pega. Um olhar, um riso, um gesto. 
           Corria pela cozinha, passava pela sala, chegavam ao quarto – a cama, cuidadosamente feito para os dois. Riam alto. Beijava o pescoço, o colo, os seios, a barriga, o umbigo... E ela ria. Um riso alto e escandaloso. Um riso de soberania, sabia ser a dona da situação, a sedutora, a que sabia brincar. “Vem me pegar”, convidava mordendo o lábio inferior.
          Não precisava de uma hora - era ali, aqui, acolá. Pra quê negar a paixão que os incendiava? Eram amantes, namorados, casados. Bastava que um quisesse, o outro aceitava o jogo... Os pezinhos descalços que ele adorava.
           A adorava-a por inteira.
        Sua deusa do O…