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Mostrando postagens de Outubro, 2013

Diário Invisível

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Dia 1: Não lembro o que aconteceu. Nem como fui parar lá. Estava frio e molhado. Não conseguia enxergar, apenas segui reto. Nada me atingiu, mas podia dizer com certeza que haviam obstáculos no meu caminho.

Dia 2: Consigo ver melhor. Fui parar no subterrâneo. Um amontoado de pessoas se empurrando pra lá e pra cá. Vagões enormes de metal faziam um barulho irritante quando passavam. Por mais irritante que fosse, não sabia explicar como eu podia escutar e ver tudo. A noção de um corpo próprio não existia para mim. Será que eu deveria falar com eles? Ninguém me enxerga.
Dia 14: Até o momento não tive interesse em falar com alguém. Todos parecem tão ocupados. Preciso ir para a escola. Estou atrasado pro trabalho. A janta vai esfriar. Vou perder o ônibus. Meu filho foi atropelado. Minha bolsa. Passa a carteira. Antes que comprem o último da loja. Ninguém me vê.
Dia 25: Uma moça no carrinho de lanches. Tantos famintos apressados. Ela faz o melhor que pode. Os lanches são deliciosos. Não faz dif…

Just Keep Walking (por Carolina Hermanas)

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Você têm: um amor quentinho na sua casa, um sorriso espalhado de histeria romântica, um beijo roubado, um abraço apertado e uma frase que ora ou outra interfere na sua cabeça e te faz suspirar,"eu te amo". 
        Você gosta: de natação, de tocar violão, de escrever poemas em guardanapos, de cantar absurdamente alto no seu quarto, de decorar poemas para recitá-los em saraus. Flores espalhadas pela casa, sorrisos sem motivos, o rosto angelical da sua mãe. De bichos de estimação, daquele seu trabalho na ótica, daquela faculdade que escolheu fazer de última hora. Dos seus amigos, mesmo quando descobre que eles não são seus amigos. Mas você gosta daquela amiga que está em um Estado diferente, pois ela te ensina que amizade o vento não leva. Nem tira. Nem some.
             Ao seu lado: nesse exato momento, um menino branquinho - deve ser do terceiro colegial - com cachos pequenos e um rosto bonitinho aparece no ônibus que você está, e se segura ao seu lado, numa daquelas barras…

Vampiro

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Gosto do fato de ser sua amiga. És uma criatura interessante, tem uma conversa agradável e uma voz bonita. De locutor de rádio. Pretensiosamente, disse que me apaixonaria pela sua voz. Não exageremos, não me apaixono por vozes, nem me dou ao luxo de ser uma de suas presas.

           Aqui não terá vez, não confio em vampiros ao ponto de por eles me enamorar. Seu poder de análise é assustador. Na pior das hipóteses, deve ter vendido sua alma. Não é comum. É absolutamente imprevisível. Conversar com ele é como jogar xadrez. Depois que descobrimos como o adversário joga encontramos uma brecha... Podemos ser amigos, então? “Seu exército, meu exercito – protegeremos os nossos reis”. Baixe as armas, não vou me aproveitar, sou como você: diferente.
        Nos daremos bem se soubermos como nos proteger. Aja normalmente. Como se fosse um deles. Não te descobrirão. Mas, não seja um deles. “É melhor do que eles”, nunca esqueça. Infiltre-se e os manipule. Obtenha os dados que tanto quer. Os huma…