Conchas (por Setsuna Alave)

       Era uma vez… Essa pessoa não mais existe. Morre esta noite. Era uma vez… As palavras antigas não serão mais proferidas. Era uma vez… Aquelas atitudes não serão mais tomadas. Era uma vez… Algo que já morreu. Era uma vez… O tempo que não mais voltará.

O que foi e o que não seria ou será foi abandonado. Pertence aos planos não executados de outrora. Outro mundo destruído, outras lições não aprendidas. 
Abandonado.
Algo novo saiu da concha do fundo do oceano. Pérola nova, não interessa aos cegos. Um novo perfume que toma conta de tudo. Ressurge algo morto que não deveria ter sido renegado ao esquecimento. Presença única. Não mais existe o que deveria há muito ser abandonado.

Andar desconhecido, roupagem nova para algo que não deveria deixar de ter sido. É o mundo das possibilidades. O novo virá. É necessária a busca pelo mesmo. É necessário a perda do medo. E este foi deixado hoje. As linhas retas são abandonadas! Os labirintos se seguirão. A simplicidade não basta quando se quer o completo.

      Sem rascunhos. Algo pronto e bem acabado. O mundo não pertence ao que é pela metade. Metades não são mais possíveis. O englobamento de um todo é o preciso. 

       Caem os muros construídos para o que não deveria ter sido. O pó deixará as estruturas que ficaram intocadas, que ficaram ao esmo, esperando por algo que acontecerá somente quando as pernas se moverem por si só. 

         Há mais! E é por isso que a concha abandona o mar. Quer luz sem fim. 

       E é por isso que os muros caíram. O vento soprará forte, fazendo com que não deve permanecer termine de ruir.





Escrito pela Setsuna Alave, do Canto de Silêncio


Se quiser ter um conto publicado por aqui, leia as regras.

Imagem: Baiwan de Fengjing

Comentários

  1. Nossa, que texto mais...confuso? Sincero? Realista? Eu realmente fiquei na dúvida. Adorei o texto e o modo como usou as palavras. Estou indo visitar o blog da autora. :D
    beijo

    marinaalessandra.blogspot.com

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  2. Já falei o quanto eu adoro essa tag? Acho fascinante.
    ". É o mundo das possibilidades. O novo virá. É necessária a busca pelo mesmo. É necessário a perda do medo." esse texto é todo incrivel, mas essa parte ficou ainda mais perfeita.
    http://denovomaisumavez.blogspot.com.br/

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  3. Ficou lindo o texto! Essa garota escreve bem.

    Com certeza é necessário deixar o medo de lado e nascer de novo (:

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  4. Que conto maravilhoso! A descrição é tão perfeita e emocionante, que me deixou até arrepiada.

    Muito bom!

    Beijos =*

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  5. Afinal, algumas coisas acabam para dar lugar a outras novas .
    Tem post novo no blog e agora ele tem twitter UHUL, segue lá @torresaamanda
    barradosno-baile.blogspot.com
    beijos

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  6. Nos meus relacionamentos falhos, esse texto me descreveria muito bem HAHAHA
    Alguns acabam com a gente =/

    bjs
    Nana - Obsession Valley

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  7. Oie =)

    O texto relata de forma simples a complexidade que é a vida, em que cada momento é único e que por mais que tenhamos a sensação que as coisas são fracionadas, na verdade elas são parte de um todo.

    Muito bom!

    Beijos e uma ótima semana;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary

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  8. Adorei esse texto, que menina que escreve bem.
    beijos

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  9. Eu fiquei meio perdida, mas acho que quer dizer que tudo mudo, se tranforma e tem fim...

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  10. este final arrebatou-me, tão sublime. quero continuar a ler contos bonitos (teus ou de outras pessoas), acalentam a alma.

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  11. Eu não conhecia a autora, mas ficei chocada com a intensidade das palavras dela.

    www.iasmincruz.com

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  12. Achei um pouco confuso, mas acredito que captei o sentido do texto...

    Beijos
    www.procurei-em-sonhos.com

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  13. Ai que lindo *-*
    Fiquei perdida também,mas gostei :)

    Beijos.
    Senhorita Imperfeita

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  14. Muitas coisas que eram ou não fora na nossa vida.
    Por isto que nós conchas saímos do mar com andar desconhecido com roupagem nova para um mundo de possibilidades.

    Histórias, estórias e outras polêmicas

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  15. Esse tipo de texto te faz parar e pensar e pensar e pensar ainda mais. Mas essa é a graça, o autor não quer que você esqueça a sua obra...

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  16. Eu gostei do texto, pra mim ele sugeriu uma ideia de libertação, de algo novo a cada dia. Me lembrou aquela música "Nada do que foi será, de novo, do jeito que já foi um dia..."

    vestindo-ideias.blogspot.com.br

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  17. Esse conto/texto é daqueles que mas parece um desabafo do que um conto, mesmo podendo ser totalmente fictício. Mas penso que seja verdade, não sua, mas do personagem em questão, e então o porque considerar uma mentira? Até mais, belo conto. http://realidadecaotica.blogspot.com.br/

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  18. Muito bom.
    para refletir...

    http://inspiracaoentrelinhas.blogspot.com.br

    :*

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  19. Aquele texto/desabafo cheio de internidades e segredos. Gostei!
    bjbj

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  20. Metades não são mais possíveis.

    Cara, adorei esse trecho!

    Beijos
    macaaverdee.blogspot.com

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  21. Oe, texto muito bom! Foi me prendendo e me fazendo entrar num mundo desconhecido a cada palavra *---*

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  22. Que texto mais triste.
    Mas é bem realista. Quantos de nós morremos todos os dias, mesmo estando a respirar?

    Estamos com uma parceria com um autor para realizar Book Tour, caso tenha interesse, acesse o site do autor e saiba como adquirir o livro para resenhá-lo >> http://www.omundosobomeuolhar.com.br/

    M&N | Desbrava(dores) de Livros

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  23. Muito bom o texto. A escrita dele ficou simplesmente incrível, você tem talento garota.
    cronicasdeumlunatico.blogspot.com

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  24. gostei muito do tom e estilo da escrita, de verdade! parabéns pelo efeito.

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  25. Amo quando as pessoas tem esse reconhecimento por sua parte Emilie. Eu gostei muito do texto, mas em algumas partes achei ele bem confuso.

    estrellando.com

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  26. Poxa, legal ver que houveram pessoas que comentaram. :)
    Eu e a Suzi nos conhecemos há anos no mundo virtual, sendo apresentadas por um amigo em comum lá pelos idos de 2006.
    Faz tempo.
    Em 29/02/2008, fundei meu Canto de Silêncio, com textos pessoais. A Suzi era uma das minhas visitantes mais frequentes, e eu do antigo blog dela, o Devaneios de Emilie, que ela fundou em março de 2008. Por conta da vida, eu terminei postando bem menos e abandonando meu blog (de um texto por noite para um a cada milênio = abandono) É bem legal ver que o blog dela cresceu tanto e ela possui tantos leitores educados e simpáticos. :D
    Enfim, sobre o texto: Pérolas surgem dentro de ostras (que quando chegam na praia são chamadas pelas criancinhas de conchas ... Que na verdade são ostras que se dividiram em duas e terminaram se transformando em conchinhas daquelas que catamos na praia quando caminhamos) , na verdade são um incomodo, um pedaço de areia que lhes fere e termina sendo transformado por elas em algo lindo e único. Conchas são metades. O mundo não é só metades e pérolas só existem por que um dia as conchas tiveram um sofrimento e resolveram mudar sua situação de vida. A pérola é resultado de uma medida da própria ostra para que o grão de areia não lhe perturbe...
    Porém, no blog, eu uso muito o termo que a vida é feita de metades. Em mais de um texto falei sobre esse tema...
    Mas o cerne do texto é: tudo muda. Nada é permanente. Se não foi, não foi, não importa. Acabou. É passageiro. Nós não somos permanentes e a dor, de acordo com o budismo, vem dessa impermanência. Queremos estabilidade, como diria Bauman, em um mundo moderno onde a estabilidade inexiste, e por isso o "Eu", a identidade, sofre. Por que temos medo do que não é fixo, que não pode ser classificado, compartimentado. Temos medo da liquidez do moderno, diz Bauman...
    Nós nunca seremos os mesmos. Mudamos. Tudo modifica, sofremos com isso. Mas do sofrimento, fazemos coisas lindas. Da mudança imposta, surgem pessoas mais belas, mais fortes, mais sábias. Não importa o que seja, haverá a mudança. Não adianta lamentar-se. O negócio é destruir os muros dentro de nós e seguir adiante nesse mundo de mudança que vive nos enviando grãos de areia para transformarmos em pérolas... Pouco importa se nos vejamos como ostras inteiras senhoras de si, ou de conchinhas na praia que perderam a sua metade.
    O importante é que nada é permanente. E que devemos aprender a lidar com a mudança. O que foi, não importa.
    E, acho que a idéia desse texto me veio quando ouvia "Halo" do Depeche Mode. Mas realmente, não lembro.... Faz muitos anos que o escrevi...

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