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Mostrando postagens de Agosto, 2013

Duas bandas

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Era um pão francês. A menina fitou com olhos gordos, passou a língua sob o lábio superior, e o partiu.  Duas bandas em cima do prato. Farelos e muita bagunça para uma criança de nove anos. 
             Abriu a geladeira e ficou em dúvida entre a pasta de amendoim e a manteiga. Fez um cálculo simples: comeria a pasta mais tarde. Pura é mais saborosa. A manteiga, por outro lado, não faria sentido sem um outro alimento, visto que era complemento. Ela derreteria com a frescor do pão. Pegou uma banda e lascou a manteiga. Faca pra um lado, faca pro outro. Camadas de cimento eram postas da mesma forma quando um pedreiro firmava uma parede. A superfície rente, quase plana. A manteiga escorria. O pão, que era francês, quis ser de outra origem. Um outro nome, pão caseiro. Pão lambuzado de manteiga. Pão sem cuidado. O que era aquele pão? 
                  A menina pegou ambas as partes e as juntou. Levou para sala e disse: “Toma, pai, tá feitinho”. O pai pegou aquela massa estranha com as pont…

Os momentos felizes de Amy (por Carlírio Neto)

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Amy era o nome da menina. Tudo que ela fazia, dia após dia, era variar o seu tempo entre ficar deitada na cama, receber a visita periódica dos médicos e ficar observando a janela que, por uma infeliz coincidência do destino, dava de frente para uma grande praça pública. Por sinal, a garotinha sempre ficava a imaginar como seria bom poder brincar novamente, pois via outras pessoas de sua idade se divertindo alegremente, enquanto ela ficava presa naquele quarto de hospital...
           Era uma menina muito forte. Não se deixava levar nunca levar pela sua triste condição. Chorar não era com ela, muito pelo contrário: outras pessoas é que derramavam lágrimas ao ver a pequena Amy naquele estado, abandonada pela família e largada sem saber o que seria dela mesma nos dias seguintes. Quando ia dormir, Amy sonhava com festas de aniversário. Queria poder brincar na neve. Visitar os amigos de escola. Receber carinhosos afagos de seus pais. Nem assim ela chorava. A Amy, na plenitude de sua inocê…

Sorte do dia

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Na sala escura pendia uma roupa de seda. Na cadeira, ceroulas. Um vento furtivo entrava pela janela, enquanto o casal descansava na cama. É doce ver como os dois se conheceram. Ele atrasado para o trabalho, esbarrara no garçom, e foi parado pelo dono do bar que esbravejava algo sobre pagar as garrafas que derrubou. Muito chateado, seguiu o seu caminho. Entrou no ônibus. Sentiu o cheiro de cerveja na roupa. Seria um ótimo dia.
        Ela acordou no horário de sempre. O que a atrasou foi o ônibus, que pregou no meio do caminho. Saí do transporte. Espera outra condução. Suspira de frustração. 
       Na saído do trabalho ele gostava de pegar o percurso mais longo, ir à pé até a estação. Admirar as árvores pelo percurso. Não é por que o dia começou mal que ele tem que acabar da mesma maneira...
       Colocou os pés fora da empresa. Cumprimentou o porteiro. Olhando para as patilhas, sorriu para si mesma. Havia um homem caminhando a sua frente. Ela olhou detalhadamente. Sapatos engraxados…