De passagem - Final

Edit: De passagem conta a história uma viajante do tempo que muda certos fatos a serviço de uma organização. Emi encontra Mei, uma ex-agente que saiu da organização.O capítulo de hoje é o desfecho da história das duas.Ao menos,dessa parceria.

      Sangue. Ou será que o uniforme escarlate dela mudou de tom? Não. Definitivamente sangue. Emi ficou em choque por um momento. Largou a arma, tirou a mascara de olhos vermelhos e caiu sobre a parceira. Ainda viva, sussurrou algo em seu ouvido e faleceu. Porém leitor, o choque de Emi não foi por encontrar o que ela tinha mais próximo de uma “amiga” prestes a morrer, ou por finalmente ter se livrado da “agencia”,conforme o planejado. Nem chega perto disso. 


          Vamos voltar um pouquinho. Emi surge no ponto de encontro, após mudar o tempo, impedindo que a “agencia” surgisse. E não foi preciso um disparo, golpe ou derramamento de sangue. Bastou demitir um funcionário. E pensar que uma pessoa a menos desmoronou todo um plano de um grupo de funcionários de uma grande empresa para consertar o que consideravam errado no mundo. Como ele saiu, não deu tempo para convida-lo às “reuniões secretas”, perdendo um membro vital sem ao menos ter o conhecimento disso.

Mei aparece.

– Você demorou, nossa que saco... - reclamou ela.

– Deixe de ser chata... - retrucou Emi, invocando seu traje de batalha e fazendo uma pose.

– Precisa de toda essa manha?

– Eu gosto...

– Tá tá, vamos logo com a missão... Vamos entrar com tudo. Como fiz umas mudanças na moto, você será capaz de escalar o prédio com ela.

– Como? Escalar?

– É só apertar o botão vermelho quando estiver colada na parede. Evite colidir e desvie de qualquer tiro. Eu vou pelas escadas, usando a supervelocidade. Quando chegar no topo do prédio, desça até o andar 93. Vá pelo corredor, entre na segunda esquerda, terceira porta a direita. Vai encontrar uma sala de controle. Ative tudo, um botão bem grande, parecendo uma esfera aparecerá. Quando eu lhe der o sinal, aperte o botão e gire a chave. Isso desativará o campo dimensional e os fará ter contato novamente com nossa dimensão. E como mudamos o passado deles, começarão a desaparecer sem mais nem menos. VICTORY!!! - Mei fez um “V” com os dedos após o último comentário.

– Isso seria uma explicação digna de um blockbuster se não fosse essa sua pose ridícula...

– Você fica rebolando quando veste a armadura e eu que faço a pose ridícula, né? Bem, vamos lá...

– Certo certo...

– Ei... Boa sorte. - A escarlate sorriu, oferecendo a mão para a companheira.

       A negra cumprimentou friamente e acelerou. Correndo na supervelocidade, Mei logo passou da parceira, desviando do tiroteio que começou. A motoqueira atravessou o portão, atropelando alguns guardas. Como instruída, apertou o botão vermelho. Os pneus mudaram e grudaram na parede. Apertou mais um, ativando o turbo. Trincando as vidraças em alta velocidade, saltou e pousou no topo do edifício. Desviou de balas e surrou alguns seguranças. Pegou uma metralhadora caída e continuou executando mais deles, seguindo. Com um sorriso sádico no rosto, redecorou os corredores com buracos de tiro e manchas de sangue. Andar 93. Ninguém foi páreo para a mascarada. Quem olhava para seus olhos vermelhos logo encontrava a morte. Em seu posto. Mei a contata e desativam os escudos.

– Ufa... Ah... Haha... - ofegante, Emi sentiu-se aliviada.

– A tanto tempo espero por esse dia... E finalmente... - a outra chora ao comunicador - Venha para cá... Estou no 65... Eu queria te... O que? Nã --

           A comunicação é cortada. A motoqueira corre, preocupada com a parceira. Os corredores começam a sumir. Os cadáveres deixam de existir. Tudo vira apenas fragmentos do que foi um prédio. Acelerou o passo antes que a escadaria sumisse. E lá estava ela. Mei. Sem máscara. Ensanguentada. Aquela pele clara. Os cabelos esbranquiçados. O olhar decidido com um toque sádico. Seria possível? Largou a metralhadora e se ajoelhou, chorosa. Mei tossiu um pouco, puxou a mulher e disse uma última coisa ao ouvido dela antes de morrer:

– Prazer em conhecê-la, eu...

        Se não fossem pelos cintos especiais que usavam, o paradoxo teria arruinado o plano desde o início. Emi nunca teria conhecido se encontrado com ela mesma, e não seria capaz de ajudar a si própria. Saiu do edifício. Observou sua deterioração até não restar nada além de um terreno baldio. A agência não existe mais. Jamais existiu. Entretanto, os crimes cometidos anteriormente pela assassina ainda a condenavam. Precisava correr. Algum dia conseguiria ficar em paz? A fuga continua...


Comentários

  1. Gostei muito dessa parte da história!
    Vai ter continuação, né?
    Beijão <3

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  2. aai pena que seja o final né :/ acompanhei a história desde o primeiro.
    http://garotoonerd.blogspot.com.br

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  3. Peraí, o que foi essa parte: "Se não fossem pelos cintos especiais que usavam, o paradoxo teria arruinado o plano desde o início. Emi nunca teria conhecido se encontrado com ela mesma, e não seria capaz de ajudar a si própria."?! Não entendi :/ rs Mas enfim, o final foi bom \o/

    Beijos!
    http://mon-autre.blogspot.com.br/

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  4. Uau, é uma história um tanto diferente e com um final bem alternativo e eu gostei :D Acredito que por me lembrar algumas histórias boas de espionagem e pelo fato de que esta história tem a sua própria identidade. Só fiquei curiosa se teria mais aventuras =/ rs
    É impressionante como os textos desse blog sempre me deixam querendo mais hahaha, vocês escrevem super bem e me deixam viciadinha rs
    Abraços e voltem sempre! XD

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  5. Contos desse tipo são difíceis de achar. É como a Juliana já disse aqui em cima, a gente sempre fica com vontade de querer ler mais e mais porque são textos que nos levam a mentalizar as personagens e o cenário.

    Gostei demais!

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  6. Oie =)

    Gostei bastante do final da história. Confesso que me surpreendeu!
    E olha que ultimamente se tratando de leitura poucas coisa anda me surprendendo, já que tudo anda meio clichê e padrão.

    Parabéns!!

    bjus;***

    anereis.
    mydearlibrary | bookreviews • music • culture
    @mydearlibrary

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  7. Não entendi muito bem Mei e Emi eram a mesma pessoas ?? Mesmo assim ficou bom, porque no final ficou com um ar misterioso.

    Relembrando Sonhos

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  8. Um dos melhores contos divididos em partes que eu já li na internet. Sério, ficou foda, e acabou muito bem. A surpresa do final foi genial rs

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  9. Felipe, o seu conto ficou muito bom. Só eu que acho que deveria ter uma continuação?

    Um beijo,
    Luara - Estante Vertical

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  10. Quem diria?! Ela mesma voltou para se ajudar, caraca muito bom mesmo! E ainda deixou um gostinho de quero mais! Parabéns Felipe!

    Beijão.

    Menina Sapeca

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