Caixa de segredos

Cristina, filha de um nobre da Itália, se surpreendeu ao abrir uma caixa. No dia do aniversario da morte de sua mãe ocorreu....

       “Acorde,milady, hoje é o dia de visitar o tumulo de sua mãe”, disse a ama ao abrir as cortinas do quarto. Cristina mal suportava aquele sol tão radiante em um dia tão nefasto como aquele. “Não entendo porque temos que nos reunir para lembrar o dia em que minha mãe morreu. Poderíamos ficar tristes e só”, disse sentada esfregando os olhos. 

     “Seu pai não gosta de atrasos, por favor, levante-se depressa”. “Está bem, diga a ele que estarei pronta em dez minutos”. Fazia quinze anos desde a morte de sua mãe. Na época,com quatro anos, não entendia o conceito de “morte”, somente chorava a falta.Hoje com dezenove, havia superado tudo isso.No entanto,o vácuo era demasiadamente largo para ser preenchido.Haviam coisas sobre sua vida que só sua mãe entenderia. 

          Seu pai não casara. Era um senhor muito respeitado naquela sociedade de nobres. Só uma coisa atiçava sua curiosidade,vez ou outra. Seu pai guardava uma caixinha em seu quarto. Trancada à chave. Cristina era louca para ver o que ele guardava com tanto afeto, pois sempre que a abria seus olhos sorriam. Algo de valor inestimável? Era isso que queria saber. Naquele dia em que todos estariam ocupados, descobriria afinal. O enigma deveria ser resolvido com urgência. Nem passava pela sua cabeça morrer antes de desvendá-lo. Seria seu trunfo. Seu pai olharia para ela sem nem ao menos suspeitar que ela sabia, então sorriria,deixando-o confuso. 

          A noite se fizera,e a moça entrou no quarto com muito cuidado. Seu pai recebia os amigos no andar de baixo. Bendito dia em que ele esqueceu de levar consigo a chave que sempre estivera em seu pescoço.Cristina havia chegado ali e não poderia voltar,mesmo que seu coração estivesse acelerado e que as conseqüências,caso fosse pega em flagrante,fossem severas. Ela foi adiante. Abriu. ”Ah!”, não conseguiu prender o suspiro. Tapou a boca. Deixou a caixa, correu como se tivesse visto algo desagradável. Trancou-se no quarto. Era demais para seu jovem coração aguentar. Quem diria que seriam cartas de amor. Elas não pertenciam a sua mãe.

Imagem: Psyche opening the golden box, John William Waterhouse
A Bianca propôs que eu fizesse um conto baseado numa ilustração ou personagem famoso.Agora estou lançando o desafio: Indiquem uma ilustração,quadro ou mesmo foto. (Citem o artista e,de preferência,coloquem o link pra eu seguir). P.S.: Duas pessoas já sugeriram. Eu só peço que citem o autor da imagem. Creditar é legal. E,não mandem aquelas "tiradas do Google",elas costumam ser aleatórias e não creditadas. Pegue uma foto ou uma ilustração de um alguém que você curte (só uma dica).

Comentários

  1. A pintura combinou perfeitamente com o conto, eu imaginei algo totalmente diferente de cartas de amor, mais sombrio, mas adorei ser surpreendia!

    Bjs

    www.daimaginacaoaescrita.com

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  2. Oh meu Deus! Tadinha, deixa eu ver se entendi Emilie, ela descobriu que seu pai traira sua mãe, no dia do aniversário da morte de sua mãe! Isso é muito triste, até mesmo para mim! kkkk... Adorei, a imagem se encaixou perfeitamente com o texto!...

    Acesso Permitido.
    Projeto Discipulando.

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  3. amei,mais eu não entendi o pai que envia as cartas ou recebia?
    beijos
    http://lolamantovani.blogspot.com.br/

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  4. Celz, tava pensando em algo mais fofo... Mas já que não era né... oooookaaaaaaaaaaay...

    Surpreendido

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  5. Muito bom o conto!
    A imagem é fantástica!
    Gostei da ideia de mandar imagem e fazer contos!!
    Beijão <3

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  6. Adorei Emilie *-*
    Ta aí a famosa frase: quem procura acha. Ela encontrou decepção.
    Beijos.

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  7. Eu que sou do tipo trágica/exagerada e imaginei que seria o coração da mãe dela na caixinha, ou algo do tipo. Ótimo conto.

    Abração.

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  8. Eu acho que você escreve muito bem e tem vocação. O texto é muito bom, detalhado, com vocabulário rico e imprevisível. E gostei bastante da estética do blog também. Parabéns.

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  9. Bah, que baita criatividade você tem! Eu não conseguiria construir uma estória plausível e ótima como a sua baseada em uma foto, se bem que já escrevi textos assim.... rs

    Beijos ><
    http://mon-autre.blogspot.com/

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  10. Ah, ainda bem que eram só cartas de amor. Eu esperava alguma coisa macabra O_O
    Se bem que "só cartas de amor" já um coisa bem grande, sendo que eram de outra mulher, né? A vida tem desses baques.
    Seus contos são uma maravilha.
    E foi uma ideia bem feliz essa de escrever baseada numa ilustração. Quando eu topar com algo legal, venho indicar. Vai ficar sendo uma tag fixa aqui, né?
    Beijo.

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  11. Emilie querida, antes de mais nada deixa eu te dizer: sou apaixonada pelo meu namorado desde os 15. Namoramos até os dezesste e permanecemos separados até os 20 - quando conheci outras pessoas. Faz três anos que estamos juntos novamente...

    Adorei a ideia da imagem e texto. Vejo em você o mesmo amor por escrever que eu tenho. E achei o texto todo aristocrata... difícil de fazer. Beijoca.

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  12. gostei do texto e da ideia. Muito boa mesmo.

    ( parece que a Rocco vai trazer o livro para o Brasil )

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  13. Adorei a história Emilie, muito boa, adorei a ideia de fazer de acordo com uma ilustração, pena que o final foi um pouco triste :* beijinhos

    deborah-alana.blogspot.com.br

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  14. Uau, fiquei impressionado!

    singlejoao.blogspot.com.br

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  15. Às vezes encontrar-se com a decepção é tão amarga que depois nos arrependemos por tê-la pedido. haha

    Beijos,
    http://eppifania.blogspot.com.br/

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  16. Já disse que amo seus contos Emilie? Pois é, eu os amo. Ficam cada dia melhores <3
    E eu na maior inocência achando que o que havia dentro da caixa era alguma coisa fofa sobre a mãe dela. rs

    Ah, e vou te propor um desafio então: escreve algo sobre "A Monalisa", do Da Vinci. Será que rola? HAHAHAH o/

    Beijo,
    muggle-world.blogspot.com

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  17. Oie =D

    Nossa que história triste ... bonita mas triste.
    A imagem casou bem com o texto, e chama bastante a atenção antes de começar a leitura.

    Ótima história!

    bjus;***

    anereis.
    mydearlibrary | bookreviews • music • culture
    @mydearlibrary

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  18. ai meio triste o final né descobrir uma coisa dessas bem nessa hora nao é muito bom :/
    http://garotoonerd.blogspot.com.br

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  19. Já disse que amo seus contos Emilie? Pois é, eu os amo. Ficam cada dia melhores <3 [+1

    Tenho que concordar com a Carol, eu amo demais os seus contos *o* Não sei mais o meu santo foi com o seu desde o primeiro que eu li -Q

    as vezes eu tbm tiro inspiração de uma foto ou video que eu vejo, sabe do nada eu vejo e surgi uma historia na minha cabeça? é muito magico isso *o*

    enfim, vou mandar duas foto dai se tu quiser tu escolhe uma, ou nenhum tanto faz
    tem essa: http://www.justlia.com.br/wp-content/uploads/2012/07/maikeplenzke08.jpg
    e essa: http://jornalespalhafato.com/wp-content/uploads/12310.jpg

    bjbj

    http://rascunhosdasuuka.com/

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  20. Lindo conto! Adorei como você escreve!
    Adoro ler, amo escrever e me identifiquei muito com seu blog!
    já estou seguindo para acompanhar tudinho :)
    Beijo e boa semana!

    www.ideiasdesenfreadas.com

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  21. Mulher tem que descobrir uma fofoca, é mais forte que elas. Que nem minha irmã mexendo no histórico do meu computador. Encontrou o que não devia e depois não dormiu por uma semana. rs
    Adorei o conto. Como sempre, ficou foda. E você tem um talento especial para desfechos interessantes. Achei a ideia das fotos/imagens muito criativa. Vai ser legal ler mais contos assim.
    Só não vou enviar nada pra você, por que seus textos são tão lindos e sutis, que não cairia bem um conto erótico no meio do Emilie escreve. Haha
    Ah, e mais uma vez voltei pra ler o último capítulo do De Passagem.

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  22. Me surpreendeu serem cartas na caixinha.

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  23. Eu pensei que ia ter alguma coisa super impactante na caixa! Tipo uma foto da mãe, ou uma parte do corpo dela. D: Ok, sou trágica.
    Ficou ótimo o texto!

    Um beijo,
    Luara - Estante Vertical

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  24. Estou apaixonada 'o'
    Pirei logo que li que se passava na Itália. Mas não foi só isso. O mistério desse conto, a história, o desenrolar ... adorei *o*
    Mesmo!
    Parabéns!
    beijo.
    Amanda - Doce Diário

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  25. Oi Emilie!
    Confesso que quando eu comecei a ler, imaginei que fosse algo mais romântico. Fofo. rs :) Mas eu adorei. Você escreve muito bem! Adoro o seus textos! Parabéns pelo talento.

    Beijos,
    Mih.

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  26. Nossa Emilie, o fim do conto me surpreendeu... Nao imaginava que nao fosse algo relacionado a mae! Seria legal continuar o conto :D
    Gosteeei mesmo!

    Bjoos :*

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  27. Obrigado pela visita... e Emilie Escreve... escreve muito bem! Lindo... meu desafio está no albúm http://www.zonezero.com/zz/index.php?option=com_content&view=article&id=1345&catid=2&Itemid=7&lang=en# Foto da capa, ou a número 2, que são as mesmas! Bjão!

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  28. Emilie quando eu olho seu blog me dá vontade de publicar meus textos tbm, mais eles nunca vão ser tão bons como o seu. bjbj :*
    vitrine-maria.blogspot.com.br

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  29. Caramba, que contexto magnífico!
    Você compôs o texto muito bem >.<
    Até mais ;*

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  30. Comecei pensando uma coisa e, no final, você me surpreendeu, como sempre! Muito bom! Ainda mais que eu sou fanático pela temática "cartas", principalmente quando elas se tornam protagonistas de histórias! Arrasou!

    Beijo!

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  31. Caramba!
    E eu pensando que fosse fotos ou coisas do tipo.

    Adorei!

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  32. Seu texto me fez pensar que as vezes é melhor apenas imaginar e
    cada um tem o direito de sofrer e seguir adianta da maneira que convir.
    Na linha tenue entre coragem e curiosidade habita um monstro chamado verdade.

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  33. Eu fiquei fascinada, mesmo. Além de adorar a ideia proposta, é como se eu estivesse lendo um livro dentro do próprio livro ( ou do quadro ). Adoro me imaginar como olhos anacolutos dentro das estórias, e isso é algo que seus textos me permitem vivenciar de forma agradável e não muito difícil.

    Ah, meu desafio é de um pintor que AMO muito: Robert Walker Macbeth. Essa em especial é minha favorita: http://rceliamendonca.files.wordpress.com/2011/08/robertwalkermacbeth.jpg

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  34. Rá, sou suspeita para falar desse quadro, afinal me autodenominei Pandora e tenho uma caixa/blog na qual guardo minhas cartas... Mas, esse conto pede continuação... Como assim as cartas não eram de sua mãe?!??!?

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  35. Imagino a tua decepção, nenhum filho recebe de bom grado uma azeda surpresa. Adorei! Parabéns!
    Bjs no core

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