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Mostrando postagens de Junho, 2012

De passagem n°8

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– Até quando vai interferir nas minhas missões?
– Até você desistir... E resolver me ajudar a destruir a agência.
Emi e Mei, deitadas no deserto, cansadas de sua luta, conversam quase esquecendo que são oponentes.

– E o que lhe faz pensar que não quero me livrar daquela agência maldita? - indagou Emi, nervosa.
– Você tem medo. - responde Mei - Medo do cinto a torturar,caso se volte contra eles. Que ele exploda ,se tentar tirá-lo.
Emi, ofegante, olha para o lado, irritada com as verdades ditas pela inimiga.
– E o que quer que eu faça? Eles me vigiam o tempo todo... Na verdade... Não sei como ainda não me eletrocutaram com o cinto... Estou aqui conversando com você, deitada... Parece até que acabamos de...
– Bem que você queria,né... - debochou  Mei.
– Não é verdade, nunca te vi - corada - Você fica se escondendo por trás dessa máscara...
– Eu tenho meus motivos... E acredite, você é a última pessoa que gostaria de mostrar meu rosto...
– Dane-se seu rosto feio,então... Deve ser uma baranga, por i…

Que dentes grandes você tem

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O sangue entornava dos lábios. A marca dos caninos no pescoço branco. Os cabelos loiros caindo em seu rosto curvado. Absorvia sua vida aos poucos. A noite presenciava tudo.
    Conheceram-se na faculdade. Seria por acaso. Nada muito íntimo, apenas uma ida ao cinema, pipoca, refrigerante.
         O braço,que a cingiria na poltrona do cinema, a agarraria com mais força, como que para não perdê-la... Ela se debateria em vão. “Não. Não. Eu não quero assim!”. Forçara um beijo, seus lábios escorregaram pelo pescoço e os dentes cravaram na pele fresca, cheirando a perfume caro. O sangue escorreu, ela limpou com um lenço. “Você é louco”, disse e correu. Cansou, parou numa praça. Por que se sentia fraca? Era mesmo fraqueza? Não era isso, o prazer que sentira a fez pensar no quanto estava sendo suja. “Virarei uma vampira?”. Riu com uma ponta de satisfação. Quem sabe? Haviam acabado de assistir a um filme de vampiros. “O que ele achou que eu faria?”. 
       Uma sombra vinha ao longe. Era ele co…

De passagem n°7

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"E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo (...)" - Gênesis 1:2
     Em meio ao escuro vazio, uma fenda se abre e dois personagens caem. Ambos se levantam e continuam a batalha que travavam no outro plano. Então,os dois param e percebem o ambiente onde lutam. Um negro absoluto. Nenhuma luz, corpo ou objeto. Nada de nada. Não sabiam nem como podiam se enxergar em tamanha falta de claridade. O guerreiro negro e o escarlate resolvem adiar a luta e tentar compreender o que sucedeu.
– Mas você tinha que fugir pelo tempo enquanto eu tentava te arrancar da moto né?! - dizia nervoso o vermelho.
– A culpa não é minha se você quer entrar no meu caminho sempre - respondeu Emi ao oponente.
– Não importa, é sua culpa ativar a viajem no tempo comigo por perto,e com o meu cinto ainda em funcionamento. Agora alguma interferência ocorreu entre meu cinto e a sua moto pra acabarmos parando neste lugar.
– E que lugar é este?
– Eu sei lá... Só espero que não seja um limbo.…

Manha de menina

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"Ei, levanta daí, menina preguiçosa”, diz a mãe presenteando-a com um beijo. “Mas,hoje é domingo,mãe...deixa eu dormir mais um pouco...”,ela se vira e cobre o rosto. “Nada disso, hoje vamos à casa da sua avó”,ela puxa o lençol. Bianca se espreguiça devagar. 


      Usava um pijama azul e seus cabelos estavam trançados. Costume seu, fazer uma trança antes de dormir para não embaraçar os cabelos. “O pai vai também?”, diz,indo ao banheiro,já com a toalha de banho. “Claro que ele vai. E ai dele se não for”. A mãe manda no pai de um jeito tão encantador. Eles não brigam, mas o pai faz tudo o que ela pede. 
        Minha mãe é demais. Apoia-se na banheira. Põe uma perna para dentro, em seguida a outra, liga o chuveiro. “Ghrrr”, diz ao sentir a água fria. Deveríamos ter um chuveiro elétrico. Papai é tão pão-duro. “Hei, linda, me dá um abraço”, diz o pai com um largo sorriso. O pai é bonito. Parece aqueles galãs de novela,sabe? Lindo de viver...A mãe teve sorte. Tomamos o café sossega…

De passagem n°6

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O jeito que ele sorria. O cabelo dele. Tudo. A garota sentada na carteira uma fileira depois do observado estava apaixonada. Nunca tomou coragem. Quando ele chegava perto, perdia a fala ou as palavras simplesmente se embaralhavam. Corava só em observá-lo. O professor, pela terceira vez, chamou a atenção da garota que não olhava para a lousa. Hoje seria o dia decisivo. Depois de tantas tentativas frustradas, ela com certeza tomaria coragem e falaria com ele. Já havia deixado um bilhete na carteira, marcando o lugar e o horário. Será que ele irá? Oh, e se ele não for? Bem, o jeito era arriscar.
       Tocou o sinal do intervalo. Esperou todos saírem e depois levantou de sua carteira. Comeu uma fatia de pão e saiu, com um rascunho na mão. Atrás da escola, longe da vista de todos, estava o garoto. A mocinha se escondeu atrás de uma viga, observando-o. Era a hora da verdade. Respirou fundo. Ele lá, encostado na parede, olhando para a grama. Ela não conseguia sair do lugar. Transpirava. O…