A Diva

        Um cemitério. Cenário  perfeito para se iniciar uma típica história de terror. Provavelmente você espera que apareça algum fantasma, zumbi, ou no mínimo um psicopata sanguinário. Mas não. Sem seres transformando-se ao luar ou criaturas sedentas voando em longas capas negras. Pelo contrário, vemos um homem nesse lugar. Alinhado. Um tanto tímido. Limpa o óculos e termina de subir o morro.

              Analisa uma lápide. Começa a cavar. Quanto mais chegava ao fundo, parecia animar-se mais, como um pirata procurando um baú de tesouro. Colide com o caixão. Destampa, revelando uma moça pálida deitada dentro da grande caixa. Os olhos do sujeito brilham. Ele se ajoelha sobre o cadáver, acariciando seu corpo. Despiu a moça e apoiou a cabeça em seus seios gelados, excitado. Levantou e voltou ao trabalho, carregando o corpo. Não deixava de se deliciar com o contato ao carregá-la. Ainda assim tentou se focar, colocando o corpo nu dentro do furgão. Ninguém percebeu sua presença. Sua mente ansiosa não deixava de matutar sobre o assunto.


            Chegando em casa, apressadamente retirou a amada do veículo e entrou, olhando para os lados. Colocou a moça sobre uma maca, ajeitando-a. Fitando-a, deslisou as mãos pelas curvas da morta, apertando suas partes. Riscou linhas em volta de seus seios, pegou o bisturi e os cortou fora cuidadosamente. Flertou mais um pouco com a mulher e a guardou. Desceu as escadas. Deixou as chaves caírem. Nervoso, pegou-as de volta e destrancou a porta. O cheiro de formol logo o atingiu. O odor instigava mais ainda deus desejos, como provar de um bom vinho. 

               Acende a luz. Um corpo remendado destaca-se no fim da sala. Senta ao lado dela, põe luvas e segura sua mão. Seus olhos, um azul e outro verde, convenientemente olhavam para o seu criador. Banhou os seios retirados em produtos químicos e o firmou na criação. Costurava os pedaços, se alegrando em finalmente completar sua obra de arte. Terminado. Passou os dedos nas costuras cobrindo o corpo de sua musa. As partes em colorações diferentes o maravilhavam. As linhas eram proporcionais. A altura. Nenhum membro maior que o outro. A mulher perfeita. Quase como se nunca fosse uma junção de vários corpos diferentes, e sim uma pessoa só. De repente lhe passou pela mente dar vida à ela, entretanto ele não era nenhum Dr. Frankenstein. Ela estava bem daquele jeito para o artista. Belíssima e morta.


Comentários

  1. Credo que horrível, isso que uma história de terror... ele vai conseguir dá vida à ela!?...
    Com medo aqui!

    http://acessopermitidoblog.blogspot.com.br/

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  2. wow! Que história incrível! Me lembra um pouco aquela música do Avenged Sevenfold, A Little Peace of Heaven, conhece? Recomendo.
    você descreveu tudo muito bem, consegui enxergar a mulher na minha frente, com a pele branca apenas marcada por poucas marcas de costura. Traços perfeitos e um olho de cada cor, que dahora kkkk
    Muito boa a história, parabéns!

    recantodalara.blogspot.com

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  3. Amei a história! Muito linda mesmo. Parabéns! Beijos, www.thingsofadreamer.blogspot.com

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  4. Nossa,essa história é de arrepiar!
    wolftheideia.blogspot.com

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  5. Pela descrição, me lembrou a Sally de "The Nightmare before Christmas". Acredito que, perfeita como você descreve, ela daria muito trabalho ao seu criador se ele a trouxesse a vida. Bom fim de semana, Beijos!

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  6. Gosto de cemitérios: me fazem pensar na história, nos desejos,


    mas não gosto de terror,


    rsrs



    bjkas

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  7. Que história legal! Adorei o desfecho dela, sou fascinada por histórias de terror... Beijos :)

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  8. É idêntico a um filme, porém o oposto. Uma lunática sai a procura de membros dos rapazes, o que lhe agrada ela corta e costura em um "boneco". No final eles se abraçam e o "boneco" parece ter vida, pois se bem lembro, ele chora. Nunca procurei saber o nome do filme, mas tal ideia sempre me fascinou. Estou longe de ser sádica, sarcástica ou de gostar desse tipo de história. Cemitérios me causam arrepios. Mas a sua história como disseram, está longe de ser de terror ( ao menos para mim ). Talvez por ter uma concepção distorcida devido a esse tal filme, me soa mais como um trágico romance. Melancólico e de estrutura feita com esmero, parabéns.

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  9. Uau, que sinistro isso HUAHEUHEA
    Melancólico, bem escrito, nos moldes de uma boa história de terror. Confesso que quando ele pegou a moça no cemitério, achei que só ia satisfazer algum desejo sexual reprimido, que ela fosse alguma ex-namorada morta e tal.

    Adorei o conto!
    muggle-world.blogspot.com

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  10. Muito sinistra a história, ohhh mente criativa hein... risoss.

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  11. Que história macabra o.o

    @wendyelmb
    http://tecido-doce.blogspot.com/
    http://cerejadeneve.com/

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  12. Nossa que legal, eu adorei!
    Adoro histórias assim, medinho!

    Obrigada pela visita, volte sempre <3
    http://agoratopronta.blogspot.com/
    Beijos Vanessa

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  13. Nossa!!! Super legal essa história!!! Adoramos!!! Beijinhos e apareça no TC, para conferir as novidades!!!

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  14. Oie =D

    Não gosto muito de histórias de terror rs... está realmente dá medinho =P

    bjus

    anereis.

    mydearlibrary | bookreviews • music • culture
    @mydearlibrary

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  15. Que medooo! Terror macabro esse! Escreve bem esse gênero!hehe, beijinhos

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  16. Não sou nada fã de Necrofilia, mas enfim, tu escreve muito bem, logo que começou a história falando que não era de terror pensei em algo mais romântico melosinho, infelizmente tenho essa mania de sempre achar que os textos vão se românticos e chatos, mas enfim, tem um pouco de romance, diferente, bem diferente, e sim, tem terror.
    Realmente belo texto ~


    E respondendo o comentário da Emilie: Eu gosto bastante de temas relacionados a circo, acho um pouco mágico, mas é claro, que maquiagem de palhaço isso são outros 500.. hsaushau

    Enfim, é isso, adios ~


    http://avidadealguemanormal.blogspot.com.br

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  17. UOL, totalmente surpreendente, apesar de tudo ainda deu um pouquinho de medo kkk
    bjus ;*

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  18. Bah, necrofilia me dá nojo viu D: rs Mas como escreves muito bem, valeu a pena ler tudo. Claro que me lembrei de Frankenstein! hehe'

    Beijos
    Meu outro lado

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  19. Simplesmente incrível, adorei o texto e este estilo meio Álvares de Azevedo me atrai muito... já estou seguindo e deixo aki meu humilde convite para q me sigas também... voltarei sempre!
    www.paullolenore.blogspot.com

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  20. não curto necrofilia, mas seu texto foi tão bem construído que a gente ignora essa parte ^^

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  21. não gostei muito da história , não gosto muito deste gênero mas a contruçao do texto esta legal.

    http://fashiondreams4ever.blogspot.com

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  22. Uau!!
    Bem que você disse que não conseguia fazer contos leves!! Interessante o suspense que você consegue criar. ^^

    Até mais

    http://naty-land.blogspot.com

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  23. OMH! Muuuuito bem escrito.
    É um pouco macabro, mas não deixa que ser muuuuito bom.

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  24. Sensacional! Sério, adorei.
    Na verdade, é bem a minha cara rs

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  25. Você veio realmente pra somar ao blog. Gostei muito do seu texto, bem diferente e interessante, rs. Beijos
    http://primeirapessoa-dosingular.blogspot.com.br/

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  26. Nossa, que medo UAHUAHAAUUAAUH eu sou medrosa até para ler contos assim.

    Beijos. Tudo Tem Refrão

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  27. Emilie lembra que você disse que tinha gostado da série do Acesso Permitido, acabei de escrever o segundo capítulo, depois vou postar! Beijos... ^^

    As votações para o AGIR 2012 começaram corra! ^^
    http://acessopermitidoblog.blogspot.com.br/2012/04/apresentados-os-participantes-do-agir.html

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  28. gente!! fiquei em choque! PUTA CRIATIVIDADE... ARRASOU!

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  29. Seu texto está perfeito. Me lembrou muito uma das histórias narradas em 'Noite na Taverna', de Álvares de Azevedo. Adorei. Sombrio, delicado, sensual, doentio. Perfeito.

    http://miasodre.blogspot.com.br/

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  30. Oie!
    Nossa, que texto bem escrito! Confesso que até me medo... .-.


    baci ;*
    cfhell.blogspot.com

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  31. Meu Deus, quanta intensidade! Não é muito comum encontrar textos que tratam tão bem este tipo de assunto, surpreendeu-me. Beijos.

    http://sabrinanunees.blogspot.com/

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  32. Ok, Felipe, da primeira vez que li, só dei uma passada de olhos, arrumei o texto e coloquei uma imagem antes de postar o seu rascunho. Mas, bem,agora lendo melhor....

    Frankenstein, na história original, estava obcecado com a ideia de criar um ser artificial. Só isso. E ele fez nos moldes de um homem. Aí vemos um Frankenstein com um corpo. Talvez ele estivesse se preparando para criar sua própria esposa. Gostei. Meio doente. Mas,daquele seu jeitinho. ^____^

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  33. Está ficando cada vez melhos ;)

    Beijos,
    Natalia

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  34. Gostei muito, me lembrou Solfieri (Alvares de Azevedo) e os contos de Edgar Allan poe.

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  35. Muito interessante!
    Uma perspectiva diferente. =)

    aescritorasonhadora.wordpress.com

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